domingo, 29 de maio de 2011

#%*$@ !!!!

Destempero. Raiva. Ódio. Fúria. Os instintos mais primitivos e bestiais d´alma humana manifestaram-se em mim ao cair da tarde deste dia 29 de maio. Como um verdadeiro lobisomen precoce, uivei, gritei e rosnei ao cair da tarde deste domingo, após o gol de empate do Bahia, quando os três pontos já pareciam comodamente guardados na mala do vôo rumo ao Rio de Janeiro.

O sentimento de injustiça é ainda maior, pois quando notamos o time em franca evolução (apesar das visíveis carências que levaram o time a perder dois pontos preciosos frente a um adversário que contava com Lulinha e Jobson, nitidamente acima da média dos adversários derrotados no recente certame regional), um erro estúpido de passe na intermediária valeu uma vitória fora de casa que pode nos fazer falta mais à frente, em campeonato equilibrado como é o Brasileiro.

Poderíamos ter vencido com maior facilidade. Nosso ataque marcou três vezes e nossa defesa entregou-se em igual número. 1) Levar gol a partir de arremesso lateral é erro que não pode ser cometido em equipe de futebol profissional. 2) Jogo empatado fora de casa, faltando poucos minutos para o fim do primeiro tempo, não é possível levar um contra-ataque que deixe a defesa desguarnecida. 3) Tocar a bola no campo de defesa, faltando poucos minutos para o encerramento da partida, e com um jogador a mais em campo (!!!!!), é pedir para ser vazado. Um erro de passe pode ser fatal. Como foi.

Que Galhardo, Wellington, Fernando, Egídio – que fez mais uma boa partida – e Wanderley não têm condições de serem titulares do time do Flamengo é público e notório. Mas um treinador experiente como Luxemburgo insistir na escalação dos mesmos é um mistério que, um dia, quiçá, ainda há de ser revelado para a humanidade. O que faz Luis Phelipe Muralha no elenco? O garoto não era o pica das galáxias do time de juniores? Angelim com 35 anos, um pé amarrado nas costas e de olhos vendados ainda é infinitésimas vezes mais jogador do que o débil Wellington. Na lateral-direita, Léo Moura precisa urgentemente voltar ao time ou então a diretoria terá que contratar algum substituto à altura. Infelizmente o esforçado Daniel Alves teve o passe valorizado com o título do Barcelona, pois poderia ser uma opção para o nosso banco de reservas.

Soam alvissareiras as especulações que dão conta de que evoluem bem as negociações com Airton e Alex Silva. No ataque, André poderá ser o jogador que falta à linha de frente da equipe. Hoje, Ronaldinho, Thiago Neves e Bottinelli são os três únicos atletas que têm alguma vocação para armar e concluir as jogadas. Um centroavante minimamente qualificado para a função representará um avanço astronômico se comparado com a deficiência técnica de Wanderley e Deivid. Diego Maurício, o melhor atacante do atual elenco, fez em 15 minutos mais do que o primeiro executou em 75. Por que ainda não é titular da equipe é outro enigma que deverá ser solucionado assim que os arqueólogos conseguirem decifrar os hieróglifos da Pirâmide de Tutancâmon.

Para o jogo contra o Corinthians, no próximo domingo, receio pela pressão da torcida sobre Petkovic. Os torcedores cobrarão, das arquibancadas, o vacilo nos últimos minutos que custou a vitória em Salvador. Se ganhássemos, tudo seria mais tranqüilo. Agora, os jogadores já entrarão pressionados e a participação do aposentado craque, em jogo que vale três pontos, soa, sobremaneira, temerária. Não me surpreenderá se esta despedida for adiada até um momento mais apropriado. A conferir.

sábado, 28 de maio de 2011

Assim é Pet

Estava passando pela porta do cinema e aconteceu uma daquelas coisas que só mesmo a crença em que algo maior rubro-negro olha por nós pode explicar. Entrei ali para fazer hora e comprei uma entrada para Piratas do Caribe 4, na falta de coisa melhor. O filme é 3D, disse-me a bilheteira, por isso, o preço da meia entrada é douze reais, completou cariocamente. Foi quando de repente, não mais que de repente, pude notar uma estranha movimentação. Já começavam a chegar os cinegrafistas das emissoras de televisão, os estagiários explorados dos sites esportivos – sim, eu já fui um deles – e mais meia dúzia de torcedores uniformizados. Perguntei ao cara do som posicionado ao lado de um cartaz do filme o que haveria ali. É a pré-estréia do filme do Pet, respondeu, enquanto ajeitava a fiação.

Como conseguir um convite para uma pré-estréia concorrida como aquela? Tentei ligar para alguns amigos que talvez pudessem me ajudar. Nada. Fiz menção de tirar uma antiga credencial de imprensa da mochila, mas rapidamente me dei conta do quão ridículo e, quiçá, vão poderia ser aquele ato. Foi quando mais uma vez o Espírito Santo Rubro-Negro pousou em meu ombro e soprou-me alguma coisa ao ouvido. Olhei para uma mesinha no canto onde duas moças bem-trajadas manipulavam alguns papéis. Fui até lá e perguntei como eu poderia assistir à película mais importante dos últimos dez anos para os 40 milhões de torcedores mais felizes do mundo. É só pra convidado, disse polidamente a moçoila, deixando-me frustrado por alguns segundos. Mas se sobrar, a gente vai liberar para o público, completou, ressuscitando as esperanças que alguns átimos antes estavam perdidas. Fiquei ali, rondando e observando a movimentação. Passados alguns minutos mais, voltei a abordar aquela que, a essa altura, já poderia considerar minha melhor amiga. Perguntou meu nome, fez que encontrou na lista de convidados, destacou o ingresso e me entregou, seguido de um piscar de olhos cúmplice. Gol!!!!!!

Para os rubro-negros, o documentário é imperdível. Rememora duas das últimas maiores glórias vividas pela nossa imensa nação, com detalhes épicos e direito a um personagem improvável. Maurinho, o contestado lateral-direito reserva da equipe tricampeã em 2001 era o companheiro de quarto de Pet na concentração. Sonhei que o camisa dez vai decidir o jogo, pressagiou ao gringo. Pensando naquilo, Pet quase não jogou no primeiro tempo, que terminaria empatado em 1 a 1, resultado que daria o título ao bom time do Vasco, que contava com Juninho Paulista, Viola, Ramon, Euller, entre outros, dirigido pelo malandro Joel Santana. Mas e se o 10 que decidir o jogo for o do Vasco, perguntou o craque rubro-negro ao cabeça de bagre. Besteira, falei aquilo sem pensar. Trate de jogar bola, ordenou Maurinho, na melhor atuação de sua vida. E assim foi feito. Pet voltou para o segundo tempo e decidiu. Fez o cruzamento para o segundo tento de Edilson na partida e o gol antológico de falta que até hoje Elton tenta alcançar a cada replay.

Sem tirar nem pôr, Pet é um personagem importante da história recente do Flamengo e merece as devidas homenagens em sua despedida dos gramados. Foi responsável, em grande parte, pelo Estadual de 2001 e pelo Brasileiro de 2009, ao lado de Adriano. Destaque para sua humildade e sinceridade. Sem falsos proselitismos, o sérvio deixa claro seu amor pelo Estrela Vermelha, clube pelo qual torcia na infância e onde iniciou a carreira futebolística, e não se furta em apresentar imagens de jogos pelos rivais Fluminense e Vasco. Quase no final do filme, conversa com Zico, ao lado da estátua do Galinho, no Maracanã, deixando límpida e cristalina sua admiração pelo maior dos maiores. Quantos gols você fez aqui?, pergunta Pet. Trezentos e trinta e três, responde Zico. Então faltam só trezentos para eu chegar lá, resigna-se o sérvio, reverenciando o inalcançável e insuperável ídolo rubro-negro.

domingo, 22 de maio de 2011

A noite do Urubu Rei

O Urubuzão Alfa mais uma vez mostrou como é que a banda toca: o leão vira leoa, o galo vira galinha e o peixe vira sardinha. Ontem à noite em Macaé não foi diferente. Logo na estréia do certame nacional, sem cerimônias, colocou logo a digníssima senhora do rei das selvas com as quatro patas no solo e regozijou-se na relva.

Na exibição de gala do Todo Poderoso Urubu Rei do ludopédio nacional, R10 deu o tom, Thiago Neves, Willians e Bottinelli prestaram auxílio luxuoso e até o Egídio jogou bem para espanto generalizado. Tudo bem que se não fossem os fraquíssimos manezinhos da ilha, teríamos sido vazados uma ou duas vezes, dada a displicência de David Braz e a inacreditável inaptidão de Wellington e Galhardo para o desporto futebolítico. Por outro lado, também poderíamos ter feito mais uns dois ou três, se, em lugar de Wanderley, tivéssemos algo que se aproximasse minimamente do que os antigos denominavam center-forward

Mas o que vale mesmo é enaltecer a realeza daquele que um dia rei, jamais perderá a majestade. Ronaldinho Gaúcho brilhou na terra do pré-sal fluminense, fazendo até mesmo a jazida Bacia de Campos estremecer em seu louvor. O repertório do craque rubro-negro beirou o extraterreno: toquezinho de calcanhar, lançamentos precisos, caneta, olho pr´um lado, toque pro outro, arrancada e golaço para esquentar a fria noite macaense.

Não precisamos muito mais do que isso, não. Basta agora repetir esta apresentação em metade dos próximos jogos, de preferência diante de oponentes um pouco mais qualificados e motivados. No mais, continuamos aguardando os reforços pontuais para as posições sabidamente carentes de nosso plantel para darmos prosseguimento à contagem regressiva que nos levará a elevar, pela sétima vez, o laurel máximo do futebol brasileiro: faltam (só) 37!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Rumo ao hepta!

Passados alguns dias da eliminação na Copa do Brasil, já consegui expurgar os demônios, esfriar a cabeça, tocar a vida. Da mesma maneira que nos esquecemos do 32º título Estadual após a derrota contra o Ceará, chegou a hora de nos olvidarmos do fracasso recente e tocarmos a vida rumo ao heptacampeonato! Isso aí, minha gente, não nos iludamos com o título ganho sobre nossos tradicionais fregueses regionais, tampouco nos suicidemos devido à frustrante desclassificação após estarmos vencendo por 2 a 0 na casa do adversário... melhor nem lembrar.

O que importa é que o Brasileirão se aproxima e temos tempo para botar ordem na casa, fazer uma listinha de dispensas (cuja repetição de nomes é desnecessária), bem como de reforços e, quiçá, para uma semana, dez dias de treinamento lá no pacato e bucólico interior de São Paulo, longe das tentações libidinosas, etílicas e gastronômicas da Cidade Maravilhosa.

Agora que os cariocas estão quase todos de férias, à exceção do Vice da Gama, que terá que cumprir tabela por mais duas semanas, o noticiário esportivo repetirá aquela enfadonha rotina de especulações sobre contratações esdrúxulas. Não acreditem em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, muito menos em Seedorf, Forlan ou Trezeguet (cruzes!) dando mole por aqui. Tal tática faz parte da mais provecta estratégia para vender jornal, inventada, reza a lenda, por ninguém menos que Gutemberg.

Crédito para a rapaziada que deu o sangue no Carioca e mesmo na fracassada campanha da Copa do Brasil. Felipe, Léo Moura, David Braz, Willians, Renato, Thiago Neves e Ronaldinho são uma base forte suficiente para brigar pelo nosso sétimo título do Brasileirão. Três ou quatro nomes, bem escolhidos, deverão preencher o elenco do escrete que poderá vir a ser o mais forte do país. À comissão técnica e diretoria, nossos mais sinceros votos de confiança na continuidade do planejamento de trabalho.

Pra cima deles, Mengou!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Falando sério

Ao contrário do que ando ouvindo por aí, não acho que o time do Flamengo fez “a sua melhor atuação do ano” ontem à noite. Talvez eu não tenha visto o mesmo jogo que os grandes ludopediólogos nacionais. Mas, na opinião deste ignorante apreciador do bruto esporte bretão, que ainda acredita que cabeça de bagre não vira craque da noite pro dia, nosso esquadrão foi merecidamente derrotado e ainda se deu bem por não ter levado o terceiro gol quando o tal Geraldo, que pensa que é o Pelé do Ceará, isolou o gol mais mole da história, desde que Martin Soares Moreno conheceu a índia Iracema.

A equipe (mal) comandada por Luxemburgo foi a mesmíssima de sempre: lenta na transição entre a defesa e o ataque, sem jogadas pelas laterais e uma inoperância abissal no setor ofensivo. Rodrigo Alvim continua sem jogar porra nenhuma (ao que não é novidade) e seu amigo Ronaldinho Gaúcho, em solidariedade, decidiu que seu companheiro dos tempos de Gaymio não será vaiado sozinho.

No ataque, David até que melhorou desde a partida contra o Vasco, voltando um pouco mais para buscar o jogo, mas não é o centroavante, o artilheiro que o time precisa e a torcida espera. Wanderley é aquela coisa: disposição pra cacete, um gol aqui, outro acolá, mas sua irregularidade comprova que não tem bola para ser titular. Diego Maurício, mesmo aos trancos e barrancos, ainda é o melhor atacante do elenco. No entanto, a falta de uma sequência de jogos faz com que não tenha a confiança que precisa para tentar jogadas. É notório que nos jogos em que vem entrando, praticamente nos minutos finais do segundo tempo, já não arrisca mais os dribles e arrancadas que tanto empolgaram a torcida em 2010.

O que se viu ontem no Engenhão não foi obra do acaso. O Ceará jogou como tinha que ter jogado. Diria até que arriscou mais do que o previsto, dominando o Flamengo durante grande parte do primeiro tempo até chegar ao gol. Na base da raça, o Flamengo equilibrou a partida na etapa final. Thiago Neves, mais uma vez mal escalado, atuando pela direita e muito recuado, se fez notar apenas quando perdeu gol incrível, em que a bola explodiu no travessão; e em arrancada destrambelhada, quando saiu trombando com a defesa adversária até ser atropelado por um beque desembestado. 

O segundo gol dos cabras foi irregular. Disso poucos duvidam. Mas é inadmissível que Renato e Wellington simplesmente desistam da jogada sem que o juiz apite a infração. Quando Angelim tentou chegar junto no lance, já era tarde demais.

Por incrível que possa parecer, Fierro entrou bem na partida. Ficou claro que qualquer um pode jogar melhor do que Galhardo na lateral-direita e o chileno tem que ser o titular, caso Leo Moura não tenha condições para a partida de volta. Foi dele o cruzamento para o gol de Wanderley e mais um ou outro passe que foram as poucas opções ofensivas, no deus-nos-acuda a que o time se entregou no segundo tempo.

Semana que vem, é bom que Luxemburgo faça algum milagre ou o tão almejado sonho da tríplice coroa periga mesmo ir pro brejo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Essa loteria é barbada

Se o azarão ganha uma vez é sorte. Se ganha duas vezes, é muita sorte. Se ganhar três vezes, aposte no azarão. É mais ou menos esta a moral da história para aqueles que ainda acreditam que pênalti é loteria. O histórico inconteste de vitórias do cavalo prova que ele é realmente o melhor do páreo. O campeão carioca invicto de 2011 é o Clube de Regatas do Flamengo, aquele que não perde uma decisão por pênaltis há sete anos. Sorte?

Neste certame, não perdemos uma partida sequer, mesmo aquela em que fomos fragorosamente garfados pela arbitragem e jogamos sem dois de nossos mais badalados jogadores. Nas partidas em que não terminamos os 90 minutos em vantagem no marcador e o regulamento exigia que houvesse um vencedor, fomos mais competentes, mais frios, mais precisos e tivemos mais poder de decisão nas cobranças alternadas de tiros livres da marca do pênalti. Nosso ótimo goleiro defendeu as cobranças que tinham o endereço do gol e estavam ao seu alcance e os nossos cobradores tiveram a eficiência mínima necessária para superar todos os adversários: Botafogo (semifinal da Taça Guanabara), Fluminense (semifinal da Taça Rio) e Vasco (final da Taça Rio). Precisa dizer mais alguma coisa?

Não somos a equipe dos sonhos dos torcedores? Ronaldinho Gaúcho ainda não encanta os sábios especialistas do bruto esporte bretão? Temos jogadores fracos demais para as tradições rubro-negras na lateral-esquerda, zaga central e no comando de ataque? Não enfrentamos adversários verdadeiramente fortes (onde estão eles?)? Então, algum mérito nossa comissão técnica deve ter. Assim como atletas que se destacaram no campeonato, quais sejam: Felipe, Léo Moura, David Braz, Willians e Thiago Neves.

Que venham os tais bichos-papões do ludopédio nacional nas fases finais da Copa do Brasil e no vindouro Campeonato Brasileiro. Até lá, nossa diretoria certamente dará um jeito de ajeitar o time, suprindo as carências de que ainda padecemos, sem, com isso, perder o entrosamento que a equipe vai aos poucos assimilando. Se por um lado, o título estadual não será a peneira que esconderá a ofuscante verdade, por outro, poderá ser a lupa que servirá para melhor analisar o consistente trabalho de Luxemburgo, Antônio Melo e Cia à frente da comissão técnica.

E, no próximo páreo, aposte no cavalo mais habituado a vencer.

domingo, 24 de abril de 2011

Mais um milagre do Manto Sagrado


Mal havia soado o apito final. Desliguei a televisão e desci os 15 andares que me separavam do bar mais próximo. Duas cervejas, por favor, solicitei ao amigo Eucimar, já adiantando o pedido que poderia me deixar um pouco mais calmo. Poucas vezes senti a morte tão de perto. Jurei que desta vez eu passaria desta para melhor, diante da tensão que se apossara de mim. Sozinho no domingo à tarde no apartamento vazio, gritar à janela e enviar mensagens de escárnio via SMS ao amigo tricolor era o que ajudava a descarregar a “naftalina”, como diria o folclórico Peu, nos idos dos anos 70. Ainda morro disso. Mas, morrer campeão, quer destino melhor?

Talvez nem mesmo Nelson Rodrigues previsse um Fla x Flu assim. Fraco tecnicamente, mas riquíssimo em emoção e personagens: Rafael “She Ra” Moura, autor do gol mais impedido de toda a história do ludopédio mundial; Willians, o leão de chácara mais feroz que já pisou os gramados nacionais; Thiago Neves, o homem dividido entre duas bandeiras; e Felipe, o rei macedônico mais querido do Brasil.

Se o clube mais purpurinado de todo o território brasileiro tem o Sobrenatural de Almeida entre suas fileiras de torcedores, nós temos algo que nenhuma outra agremiação desportiva, em nenhum outro rincão interplanetário, tem. O símbolo de toda a nossa tradição, representante de todo nosso passado de glórias, identidade indelével de todo rubro-negro, ícone de raça, amor e paixão, capaz de superar o mais insuperável dos desafios e sobrepujar o mais temível adversário: é ele, o nosso Manto Sagrado.

Na tarde deste domingo foi o que nos garantiu a vitória sobre as moças efeminadas mais maquiadas do futebol mundial. Nosso Manto provou definitiva e inexoravelmente seus poderes sobrenaturais e sua força de mais de um século de história. Foi como se todos os craques rubro-negros de todos os tempos tivessem encarnado naqueles onze pedaços de pano e conferissem dons mágicos aos limitados Galhardo, Wellington, Alvim, Fernando, Wanderley e, sobremaneira, a Willians, o gigante da meia cancha. Não, senhores, nenhuma outra equipe do planeta possui uma camisa com tamanha mística quanto o Manto Sagrado Rubro-Negro.

Na lógica, nada poderia tirar a vitória das meninas do laranjal. Após o faniquito coletivo instaurado depois da classificação no certame continental no meio da semana, pisaram o gramado do Estádio Olímpico como se fossem as top models internacionais que pensam que são. O fraquíssimo soprador de apito, além de inverter todas as faltas e arremessos laterais em favor das donzelas aristocráticas, ainda teve a desfaçatez de validar um gol em impedimento ululante, como diria o Anjo Pornográfico. E nós? Além do empate desenxabido diante do insignificante Horrorizonte, no meio da semana, ainda perdemos nosso gladiador Maldonado e Ronaldinho “The Best of the world” Gaúcho, em cima da hora. Achou pouco? Pois, com menos de 10 minutos de jogo, ficamos ainda sem o jogador mais regular do futebol interplanetário da última meia década, o melhor lateral-direito do globo, Léo Moura.

O placar de 1 a 0 a favor do time de futebol feminino mais afrescalhado de todos os tempos parecia irreversível. Nosso bravos atletas, apesar da inegável entrega, não pareciam capazes de chutar uma bola na direção de um cone localizado a um metro e meio de distância. Foi quando uma facho de luz resplandeceu por entre as negras nuvens que encobriam o céu do Rio de Janeiro. O clarão dirigiu-se rumo ao corpo de um certo Willians, que envergava a camisa oito do Manto Sagrado Encarnado e Negro. Sim, era ele, o espírito de Zizinho, o “catedrático”, como descrevera certa vez o locutor Oduvaldo Cozzi. Incorporado em Willians, Zizinho, como nos velhos tempos, pôs a bola na cabeça de Thiago Neves que só teve o trabalho de testar para o fundo do gol feminino.

Na cobrança de penalidades, mostramos mais uma vez qual o clube mais imponente do mundo. Mesmo sem contar com a sorte dos cobradores mais eficientes, nossos meninos provaram o que é a pele rubro-negra. Não culpo Renato Abreu e Thiago Neves, pois já nos ajudaram em outros momentos e julgá-los “amarelões” seria fácil demais neste momento. Mas não podemos deixar de enaltecer a frieza de Galhardo e Diego Maurício. Sim, não me esqueci de Bottinelli, David Braz, Deivid e Felipe, que também cumpriram com suas obrigações (sim, porque pegar pênalti mal cobrado é dever de um goleiro do nível de nosso soberano arqueiro dos Bálcãs) cívicas perante a Nação Rubro-Negra. Mas as cobranças dos dois jovens atletas recém-chegados das categorias de base provam o talento nato dos jogadores formados no clube. Só eles entendem verdadeiramente o significado do Pavilhão Encarnado e Negro, simbolizado pela bandeira mais linda do mundo tremulando no lugar mais alto, acima de todas as demais.

P.S.: E que venha o nosso vice de fé.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Eye of tiger


Começo este post com uma história do século passado. Os mais jovens talvez não saibam, mas em Rocky III, o garanhão italiano vivia em má fase. Após início de carreira avassalador, passou a ser contestado pela crítica e pelo público. Diziam que só enfrentava adversários inexpressivos que facilitavam suas vitórias. Já ganhava uma certa grana, mas o precoce ostracismo o incomodava.

Então surgiu um adversário à altura: James “Clubber” Lang. O negão, além de ser forte pra cacete, ainda era uma marra só. Insuportável, fazia pouco do passado de glórias do antigo campeão e ainda deu umas porradas no Mikey, o treinador velhinho de Rocky. Para se preparar para a pedreira, o lutador passou a treinar com Apollo Creed, o doutrinador, pugilista aposentado que o garanhão italiano enfrentara nos velhos tempos. Creed dizia que faltava a Rocky os “olhos de tigre”. Isto é, aquela puta vontade de fazer as coisas e consegui-las, por mais impossíveis e improváveis que pudessem parecer. “Era o que você tinha quando nós lutamos”, recorda o doutrinador ao pupilo. Não deu outra: o campeão recuperou o cinturão e foi comemorar nos braços da lânguida Adrian.

Ronaldinho Gaúcho é um craque incontestável, de talento sobrenatural com a bola nos pés. Foi considerado por duas vezes o melhor do mundo, segundo a FIFA; sagrou-se campeão mundial com a Seleção Brasileira, em 2002; foi aplaudido até por torcedores adversários quando envergava as cores anil e grená do Barcelona, entre outros feitos heróicos. No entanto, há alguns anos não consegue repetir atuações convincentes e sempre é comparado consigo mesmo, como um Narciso refletido que torna-se mais belo que o próprio objeto original.

O que a torcida do Flamengo espera de seu novo herói não é o talento extraterreno de Ronaldinho dos tempos de Barcelona. O que se espera é o poder de decisão que ele não teve, por exemplo, quando, aos 47 minutos do segundo tempo, chutou para fora o pênalti que poderia ter dado a vitória do time contra o fraco Macaé; e na cabeçada desferida, de dentro da pequena área, por cima do travessão, contra o igualmente débil Horizonte. Em resumo, para jogar no Mengão não basta ser o melhor do mundo. Tem que ser ‘o cara’ para, quando a chapa estiver mais quente possível, decidir a parada. Exemplos não faltam em nossa história recente: Zico, o maior dentre os maiores, em, nada menos do que 4 títulos brasileiros, um continental e um mundial; Pet, em 2001, e, ao lado de Adriano, em 2009.

Para demonstrar minha superioridade moral e total desprezo por valores homofóbicos e rivalidades locais, olho de tigre foi o que teve o centroavante Fred ao decidir a partida do Mais Florido do Brasil contra o rival portenho, na noite da última quarta, pela Taça Libertadores. A mesma determinação do atacante-surfista contagiou as outras meninas do Laranjal quando da campanha contra o rebaixamento em 2010.

Não adianta um time repleto de craques (o que nem é o caso do atual elenco, longe disso), jogadores comprometidos, disciplinados e um bom treinador. É preciso jogadores que assumam a responsabilidade, ponham a bola debaixo do braço e digam: “vamos ganhar desses merdas agora!”. O que se vê do atual elenco é algum empenho durante os jogos, mas uma certa humildade exagerada, quando se fala na tal invencibilidade, como se esta fosse um grande mal ao grupo. “Uma hora vamos perder”, afirma um. “Não vai durar para sempre”, argumenta outro. “Temos que estar preparados para o momento da derrota”, completa um terceiro. Frases que não me parecem típicas um grupo vencedor, preocupado em fazer história com o Manto Vermelho e Preto.

Se pudesse fazer um único pedido à Comissão Técnica Rubro-Negra este seria: antes da partida contra nosso co-irmão efeminado, façam os jogadores desligarem seus celulares, desconectarem seus twitters e assistam a Rocky III em alto e bom volume. Deixem que a contagiante canção do Survivors tomem seus corpos e mentes. E, ao entrarem em campo no próximo domingo e verem as camisas purpurinadas de nosso rival esquisitão, façam mais uma vez prevalecer a supremacia do Manto Sagrado Encarnado e Negro. Não permitam que restem dúvidas sobre qual é o clube mais vezes campeão do estado, hexacampeão brasileiro, campeão do continente e do mundo. A hora da verdade se aproxima.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Cadê o 9?

Tamanho desinteresse no jogo do último domingo deu no que deu. O 0 a 0 pelo menos serviu como pretexto para o ronco no sofá após a feijoada e a cachaça no final da tarde. Nem mesmo o rubro-negro mais feladapôta merece ver seu Manto Sagrado maculado pelas exibições de Willians, Renato Abreu e Deivid ontem em Macaé. Parecia que todos estavam ali só pra passar o tempo antes do bumdalelê na casa de Ronaldinho Gaúcho, que aconteceria horas mais tarde.

O empate foi motivo suficiente para aqueles que reclamavam das atuações de R10 e Thiago Neves nunca mais ousarem manifestar-se. Mesmo com os olhos vendados e os pés e mãos amarrados, os dois sobram com folgas paquidérmicas em relação aos demais atletas do elenco. Se com ambos em campo, temos talento para superar o mais qualificado adversário do país – quiçá do mundo - não seria exagero dizer que sem eles, nosso time equivale-se aos esforçados oponentes cabofrienses. Afinal de contas, pelo menos no caso do jogo de ontem, os números não mentem.

Outra coisa: por que cargas d´água Diego Maurício ainda não é titular desse time se é, de longe, o melhor atacante do elenco? Sim, porque nem R10 nem Neves o são. No máximo, fazem as vezes de dianteiros quando as circunstâncias exigem. Mas nenhum tem a volúpia e fome pelo gol da Serena Willians rubro-negra. Uma pena suas duas bolas chutadas na trave no segundo tempo.

Wanderley parece não render o mesmo iniciando a partida do que quando entra ao longo do jogo. Negueba cada vez me convence mais que não passa de uma promessa de bom meia ou, no máximo, meia-atacante caindo pelas pontas. Mas ainda lhe falta tranqüilidade na hora do último passe e da finalização. E o Deivid? Após a cabeçada, de dentro da pequena área, sobre o gol do goleiro adversário na etapa final, acho que não vale a pena sequer nos ocuparmos de uma análise mais detalhada.

Só para concluir: tudo isso é indício de que em breve pode ter gente nova pintando na Gávea. Ou não tão nova assim. Só espero que o bom trabalho e a harmonia do grupo sejam preservados e nosso saudável hábito de gritar “é campeão” volte à rotina, sem que, para isto, tenhamos o ônus de figurarmos em páginas policiais ou revistas de fofoca.

sábado, 19 de março de 2011

Mais sem freio ainda

O Flamengo joga neste domingo contra o Cabofriense em Macaé. Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves não atuam e o time já está classificado para as finais do Estadual, fatores que servem para tirar o foco da partida. Os coadjuvantes Wanderley, Negueba, Bottinelli e Diego Maurício esperam dar conta do recado, fazer tudo que o professor pediu e sair de lá com os três pontos etc etc etc. Mas o que anda mesmo mobilizando as atenções na Gávea e no Ninho do Urubu não é exatamente o desempenho dentro de campo de um dos dois únicos times invictos em todo o futebol brasileiro em 2011, pré-classficado tanto para a final do certame fluminense quanto para as oitavas de final da Copa do Brasil, com um elenco de estrelas do quilate de Ronaldinho e Thiago Neves, comandado por um dos técnicos mais vitoriosos do país, nas últimas décadas.

Nada disso é capaz de atrair mais as atenções do que a possível (ou provável) volta de Adriano. Não bastou Vanderlei Luxemburgo afirmar que ele não fazia parte dos planos da equipe, Patrícia Amorim divulgar nota oficial na imprensa corroborando a decisão do treinador, nem notícias dando conta do interesse do clube na contratação de Vagner Love. Como que ignorando as declarações da cúpula rubro-negra, Adriano concedeu entrevistas a um ou outro coleguinha reafirmando seu desejo de voltar a envergar as cores encarnado e negro do Manto Sagrado. Levado pelas declarações, Ronaldinho Gaúcho igualmente desconsiderou as orientações e manifestou sua vontade de jogar ao lado do amigo. E, como se não bastasse, ainda promoverá o encontro do Imperador com jogadores, diretoria e comissão técnica em sua festa de aniversário, neste domingo.

Antecedentes

Ainda não é de conhecimento público se, no último dia 10, antes da partida contra o Bangu, ao afirmar que Adriano “não fazia parte da filosofia de trabalho”, Luxemburgo já havia conversado sobre o tema com Patrícia e demais integrantes do futebol rubro-negro. Pelas declarações, sim, pois afirmava ser este “um consenso da diretoria”. Mas causou estranheza declarações da própria presidenta, no intervalo da mesma partida, dizendo ainda não ter se reunido com o técnico. Excesso de malandragem do primeiro, apostando alto que seu currículo venceria a queda de braço com os desejos da torcida e dos jogadores, ou desprestígio por parte da mandatária em relação ao treinador?

A segunda hipótese perdeu força quando a diretoria divulgou a tal nota negando interesse na contratação do atacante. Mas a maré parece ter começado a mudar quando, temendo a repetição do caso Ronaldo (o flamenguista de araque), notícias davam conta de que Adriano poderia estar acertando a ida para o Corinthians, mesmo que sua vontade fosse voltar ao Flamengo. A imprensa carioca não deixa o assunto morrer e, sempre que pode, aborda o tema com Luxemburgo, Patrícia, Ronaldinho e Adriano, protagonistas nesta novela rocambolesca. E aí, meu amigo, quando os jornais populares, sites de notícias e as redes sociais insistem, as arquibancadas reverberam em uníssono, retroalimentando a questão.

Na última sexta, após o treinamento da equipe, Luxemburgo cuspiu marimbondos na coletiva de imprensa, dando a entender que o assunto estava liquidado. No entanto, minutos mais tarde, em entrevista à Rádio Tupi, pareceu mais manso e disposto a reconsiderar a decisão. O que teria mudado? Dizem alguns colunistas que a negativa do técnico não passaria de um jogo de cena para valorizar o atual elenco, esperar pela recuperação física do atacante e as negociações avançarem. De fato, jamais se ouviu da boca do treinador “ou ele, ou eu”.

Próximos capítulos

Mas o que mais impressiona é que tudo isso esteja acontecendo em um momento em que o time vai ganhando seu jogos e se classificando nas competições que disputa. Tá certo que ainda não joga um futebol maravilhoso. Mas quem joga? Talvez, fora o Cruzeiro, não haja equipe dando espetáculo no Brasil neste momento. O Santos anda claudicante, mesmo com a dupla da moda Ganso e Neymar. Inter, São Paulo e Corinthians parecem estar acertando o time só agora, mesmo com a manutenção da base e da comissão técnica de 2010. Grêmio, Palmeiras e Fluminense vivem crises e indefinições internas. Os demais ainda estão muito longe disso.

Resta-nos aguardar os próximos capítulos. Só espero que todo o planejamento traçado com a vinda de Luxemburgo não seja afetado, mudado, sobrepujado e desfeito de uma hora para a outra porque partes da torcida, imprensa, grupo de jogadores e (quem sabe) da diretoria do clube acham que o problemático atacante - dito torcedor rubro-negro, que chutou o balde, meteu o pé na jaca e descabelou o palhaço na Libertadores de 2010 e virou as costas para o clube quando da primeira proposta para voltar à Europa, dizendo-se “em dívida com os italianos” - deve voltar.

Em vez de pagar o débito, aumentou-o ainda mais. Será que voltará ao Flamengo para pagar a dívida que tem, isto sim, com o time de coração? Ou, ao contrário, está voltando para receber o que diz ter direito de sua passagem anterior? Desse jeito, não apenas Adriano retornará ao clube. Mas também o zagueiro Álvaro e o técnico Andrade para comandar o bonde, mais sem freio ainda.

Isto é Flamengo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Passeio em Fortaleza

Na terra da carne de sol, o Flamengo encontrou, na verdade, uma carne assada. Tremenda mamata esse joguinho de quarta à noite para a representação Encarnada e Negra. Mesmo com alguns jogadores saindo do vestiário sem tomar banho após a partida, o Mais Querido enfiou três na sacola do genérico cearense das meninas do laranjal. Só para não perder o hábito.

E olha que nosso time fez de tudo para não fazer os dois gols necessários para eliminar o jogo de volta. Nossos beques Wellingbauer e David Baresi queriam a todo custo entregar a rapadura, só porque estavam na capital nacional do doce de pinga. Devem ter tomado algumas doses antes. Só para acabar o parágrafo relacionando os moles da defesa, até o rei macedônio Felipe andou aprontando das suas. Mais uma vez confirmou sua mais recente especialidade: bater roupa para o meio da área. Parecia que os caras tavam querendo mesmo jogar no Engenhão semana que vem. Só esqueceram de combinar com o adversário, como já ensinava Garrincha meio século atrás.

Antes de falarmos sobre os gols que garantiram a classificação antecipada, não posso deixar de lembrar que, mais uma vez, nosso magnânimo comandante lançou mão de alterações rocambolescas, como lhe é peculiar. A presença do gringo Bottinelli tem se mostrado tão ou mais injustificável quanto a de Deivid. O argentino pode até ter talento lá em plagas platinas ou andinas. Mas envergar o Manto Sagrado não é para qualquer um. Enquanto isso, o jovem e promissor Vander, que, ao menos, demonstrou disposição quando atuou, nem no banco tem ficado.

Outra prova incontestável do elevado grau de teimosia de nosso treinador reside na escalação/não-escalação/substituição/não-substituição do garoto Negueba. Parece que é só a galera começar a gritar o nome do moleque para o PhD Dr Sc. Luxemburgo olhar de soslaio para um de seus auxiliares, cruzar os braços, coçar o queixo e indagar: “Quem essa gente está pensando que é?”. E pronto, mais um jogo que o neguinho não entra. Vamos combinar assim: quando o time tiver naquela merda de dar gosto, passem a clamar pelos nomes de “Wellington”, “Egídio”, “Bottinelli”, “Rodrigo Alvim” e “Fernando” pra ver se o cara coloca o garoto em campo.

Mas se a retaguarda vacila, o treinador insiste em achar que é o Rinnus Michels do século XXI e os valentes oponentes decendentes de Martins Soares Moreno não aproveitam, nosso ataque não tem culpa! E, mesmo jogando já pensando no pagode prolongado do final de semana – já que não atuará pelo estadual na próxima rodada – o Camisa 10 Mais Querido do Mundo conseguiu dar três passes que simplesmente selaram a vitória Preta e Vermelha na terra de Iracema. No primeiro, Ronaldinho É Seleção Gaúcho lançou Thiagão Corredor Neves que serviu Renatão Coice de Mamute Abreu fuzilar o barbante dos tricoletes fortalezences.

No segundo, mais uma troca de passes entre os dois próximos titulares do meio-campo canarinho para a cabeçada fulminante, inapelável e decisiva de Wanderley, o Alucinado, que provou mais uma vez que terá muito futuro com o Manto Sagrado. Após o árbitro indicar o centro de campo, confirmando o tento, o novo Nunes mostrou a disposição de um mendigo cearense atrás de um prato de buchada e correu pra galera como se não houvesse amanhã.

Por fim, quando as valentes meninas tricoletes já decidiam se curtiriam a noite no Queens ou no Dona Santa, eis que o ex-futuro-melhor-do-mundo serve com categoria e precisão nosso promissor Drogbinha para fechar o caixão purpurinado das três cores que traduzem... eliminação. 

Ao soar o apito final, foi possível ouvir o tradicional grito dos peladeiros ostentando toda sua soberba e altivez, após mais uma acachapante vitória: “De foraaaaa!”

Quachá-quachá do cu ligeiro

A rodada da última terça na Champions League teve como destaque a vitória do Internazionale de Milão sobre o Bayern de Munique por 3 a 2. A vitória classificou a equipe do técnico Leonardo para as quartas de final do certame, mas mostrou algo que pode preocupar o torcedor brasileiro. A má fase do goleiro Júlio César é visível. Mais uma vez o outrora melhor goleiro do mundo levou um frangaço que, não fosse o craque Eto´o, poderia ter eliminado a equipe.

Júlio César já vai para a casa dos 32 anos e parece que o gol sofrido contra a Holanda o abalou mais do que o normal. Em partida recente pelo Campeonato Italiano já havia batido roupa e sofrido o gol. O tento levado contra o time alemão apenas comprova a falta de confiança e desatenção por que passa o arqueiro. Recordo-me que em seus últimos tempos de Flamengo, Júlio, que já se consagrava com boas defesas, começou a pensar que era o tal. Entregou um jogo ganho contra o Atlético Paranaense na Arena da Baixada ao tomar dois gols em poucos minutos por falhas evidentes.

Claro que é normal um bom jogador passar por uma má fase. Principalmente um goleiro, posição em que um momento de indecisão, desatenção, displicência ou soberba pode custar a vitória de sua equipe e o trabalho de todo um ano ir por água abaixo. Está aí Barbosa como exemplo máximo de como um bom goleiro passa à história como frangueiro e até vilão nacional.

Clube do coração

Mas quero chegar a outro ponto. É um mero exercício de futurologia, mas o exemplo é recorrente ao longo dos anos. Quero dizer que não tardará o momento em que Júlio César virá à imprensa dizer que está com saudades do Brasil, que seu time de coração é o Flamengo e sonha voltar a envergar novamente o Manto Sagrado Encarnado e Negro.

O goleiro faz parte da mesma safra revelada no início dos anos 2000 e que, em pouco tempo, começou a deixar o clube. Faziam parte dele, além do arqueiro, o zagueiro Juan, o volante Felipe Melo e o atacante Adriano. O que esses três têm em comum? Após anos de sucesso na Europa, um breve declínio na carreira fez com que cogitassem voltar à Gávea. O argumento é mais ou menos o mesmo: “Minha casa é o Flamengo”, “Nasci ali para o futebol”, “Não posso parar sem vestir novamente a camisa rubro-negra”, ou algo parecido.

Ainda no primeiro semestre de 2009, Emerson, o Mercenário das Arábias, chorou ao deixar o clube, mas disse que tinha família para criar, que a proposta do Oriente Médio era irrecusável e que um dia regressaria. Foi, ficou um aninho lá e depois passou a vestir o pano purpurinado das três cores efeminadas. Em recente entrevista sobre o episódio, Zico, então gerente de futebol do Flamengo, revelou a farsa. A grana a ser desembolsada para ter Emerson de volta era alta para os padrões do clube na época e o atacante achou pouco o oferecido. Após ouvir a proposta, foi à casa de Alcides Antunes, então cartola do laranjal, que, com o auxílio luxuoso do patrocinador, praticamente dono do clube, fechou negócio rapidinho. Vagner Love é outro exemplo. Sou um fã de seu futebol e torço para a sua volta. Mas, apesar de rubro-negro declarado, não é maluco de trocar os milhões de euros anuais na gélida e obscura Rússia pelo verão, carnaval, cerveja, mulher e a torcida do Mengão. São os valores de nosso capitalismo, meus caros.

Honestamente, desejo que Júlio César, Juan, Adriano e Felipe voltem a jogar o fino futebol que aprenderam nas divisões de base do Mais Querido e que o consagraram na Europa. Mas, sinceramente, gostaria muito mais que Lionel Messi e Samuel Eto´o declarassem aos microfones, em bom espanhol ou francês, que sonham desde criança vestir o Manto Sagrado Preto e Vermelho do clube mais querido do mundo. Somos 40 milhões, não somos? Então, se, além da esmagadora maioria de jogadores de futebol do Brasil é torcedora do Flamengo, por que não pode haver uma criança argentina ou camaronesa que torça para as cores de nosso pavilhão?

Por isso, minha gente, não se surpreendam se, amanhã ou depois, forem surpreendidos com a notícia de que Adriano está assinando contrato com os gambás, o Vice da Gama ou com a agremiação das donzelas maquiadas. Em resumo, o negócio é o seguinte: jogador de futebol só ama três coisas na vida: dinheiro, mulher e cachaça. Se puderem ter essas três coisas, jogando em um clube popular, que garanta boa repercussão na mídia, ótimo. É o que trouxe e continua trazendo jogadores como Adriano, Vagner Love, Ronaldinho Gaúcho, Romário, entre outros para o Flamengo. O resto é quachá-quachá do cu ligeiro, como dizem os baianos. Ou, em bom português, papo pra encher os ouvidos de torcedor otário e vender camisas e souvenirs que hoje movimentam o mundo do futebol business.

Ídolo único

A primeira equipe do Flamengo que acompanhei foi o que se sagrou tetracampeão brasileiro em 1987. Aquele timaço contava com craques consagrados como Leandro, Edinho, Andrade, Renato e Zico, além de jovens promessas que depois viriam a se firmar no futebol brasileiro e mundial como Zé Carlos, Jorginho, Aldair, Leonardo, Aílton, Zinho e Bebeto. Desses, além de Leandro, que encerrou precocemente a carreira, o único que jamais defendeu as cores de outra agremiação futebolística no Brasil foi Ele. Zico transferiu-se para a pequena Udinese, em 1983, aos 29 anos de idade, em tempos difíceis para o Flamengo, que precisava fazer caixa e via na venda de seu maior craque a chance de se reerguer financeiramente. Dois anos depois, voltou para nos dar mais um título nacional, jogando no sacrifício, tomando infiltrações de cortisona no joelho para resistir às dores incessantes.

Por essas e outras que Ele foi, é e sempre será meu único ídolo. De jogadores, técnicos e dirigentes que vêm e vão, espero apenas profissionalismo e não me iludo com beijinho no escudo, lágrimas nos olhos e emoções de conveniência. Minhas únicas paixões e objetos de minha devoção no futebol são as cores, o clube (para o qual pago regiamente as mensalidades como sócio patrimonial), a camisa e a torcida rubro-negra, que jamais me decepcionarão.

terça-feira, 15 de março de 2011

Cabra macho rubro-negro

Nesta quarta-feira, o clube mais arretado do mundo recebe o brioso Fortaleza, no Estádio Castelão, onde mais uma vez contará com a maioria esmagadora da torcida. O colonizador maior do ludopédio nacional já aterrissou na terra de José de Alencar com altivez e autoridade para - assim como Martins Soares Moreno conquistou a bela índia Iracema - traçar com ardor, volúpia e sofreguidão a bem-intencionada representação cearense.

Mesmo sem jogar, nosso Angel´in já atua como o embaixador vermelho e preto. Ao pisar solo fortalezence, já demonstrou quem é que manda e deixou os adversários aperreados. “O nosso (objetivo) é ser campeão da Copa do Brasil e queremos matar o jogo da volta”, pressagiou o cabra macho encarnado e negro. A frase está soprando ao vento e já infla as velas do Mucuripe.

E, como diria o nosso comandante supremo, Vanderlei Pepe Guardiola Luxemburgo, o Flamengo é o Barcelona das Américas e a torcida pode esperar muitos títulos com o elenco estrelado que tem: Ronaldinho Messi Gaúcho, Thiago David Villa Neves, Guilherme Iniesta Negueba e Léo Dani Alves Moura, que – cá entre nós – tem muito mais bola que o original.

Por isso, fiéis aficcionados rubro-negros cearenses, podem ir deixando o jabá de molho e descascando o jerimum. Antes da partida, preparem um saboroso suco de caju harmonizado com a melhor pinga da terra. Ao final dos 90 minutos, para comemorar mais um triunfo rubro-negro, a indispensável rapadura.

E arre égua!

domingo, 13 de março de 2011

Recordando Nelson

O 0 a 0 no Fla x Flu do último domingo estava escrito 40 minutos antes do Big Ben. E, a cada volta do ponteiro, não era preciso a vidência de um Maomé ou Moisés de Cecil B. de Mille. Era batata que o marcador não seria alterado.

Nem Sobrenatural de Almeida seria capaz de mudar o panorama da partida. Como se não bastasse a indolência de ambas as equipes, o jovem árbitro escalado para o confronto fazia questão de se fazer notar por inversões de faltas, vantagens mal marcadas e cartões não aplicados. Espero que algum colega de profissão, após o duelo, tenha tido a lucidez de aconselhar-lhe ao pé do ouvido: ‘meu filho, envelheça!’.

Do banco de reservas, o pré-demitido Muricy Ramalho parecia agradecer aos céus. A partir desta semana, terá como comandados Ganso, Neymar e cia, esquecendo de uma vez por todas Gum, Marquinho e Leandro Euzébio. Já Luxemburgo parece querer surpreender a todos a cada rodada. Se Negueba sequer participou do jogo na última quinta, no clássico eterno começou jogando entre os 11. Perguntam-me: e Egídio? O que ainda faz Egídio com a camisa do Flamengo? Outro ainda indaga: e Fierro? Quem é o empresário de Fierro? Eita sujeito competente!

Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves estiveram muito bem marcados e sem companhia no ataque. Com as meninas do laranjal encolhidas medrosamente em seu campo defensivo, nossos armadores não encontravam espaço para apresentar todo o resplendor de seu futebol. Léo Moura também contava com a constante companhia de um oponente maquiado em seu encalço, o que reduzia sobremaneira nossas alternativas ofensivas.

De positivo, é justo destacar a segurança de Felipe e o vigor da dupla de zaga. Se Wellington e David Braz ainda estão longe de lembrarem Baresi e Beckenbauer, ao menos diminuíram quase a zero as chances do He-Man purpurinado e do Mercenário das Árábias.

Ao final, o placar em branco garantiu a nossa condição de única equipe invicta no atual certame e uma invencibilidade contra nosso co-irmão esquisitão para mais de quatro anos em estaduais. O empate ainda nos manteve como líderes do grupo A, à frente do cambaleante Vice da Gama. E, como se não bastasse, ainda assistimos à hilária demissão de Mauricy Humoralho após o derby. Elas que corram atrás agora se quiserem nos encontrar na grande final.

Tá certo que os fatos também nos mostrem que o time ainda parece taticamente meio torto, alguns jogadores ainda batam cabeça uns com os outros, nos falte um lateral-esquerdo talentoso, um centroavante eficiente e um zagueiro mais habilidoso e experiente para conquistarmos, aí sim, um grande título nacional e internacional. Mas, invictos, campeões da Taça GB e lideres do returno, só nos resta recordar Nelson: pior para o fatos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vitória puro sangue

Os sete mil torcedores que abdicaram do aconchego do lar e da segurança da família certamente não se arrependeram de comparecer ao Estádio Cláudio Moacyr, na chuvosa noite desta quinta-feira, em Macaé. Foi a melhor partida de futebol do ano de 2011 até o décimo dia do mês de março. O Clube de Regatas do Flamengo e o Bangu Atlético Clube reviveram em campo a magia dos épicos confrontos entre as duas agremiações que se digladiavam nos anos 60 pela hegemonia do ludopédio fluminense.

O primeiro tempo morno, marcado por duas discutíveis penalidades (uma para cada lado) deu lugar a uma etapa final eletrizante, digna de final de campeonato. Atuação destacada de Ronaldinho Gaúcho, que parecia querer mostrar que a folia momesca não afetaria seu rendimento nas quatro linhas. Jogando pela meia-esquerda, após a entrada de Diego Maurício no lugar de Willians, passou a demonstrar parte do repertório dos tempos de Grêmio, PSG e Barcelona. Recebendo a bola de frente para o gol, encarou os adversários, arriscou dribles e colocou os companheiros de frente para a meta inúmeras vezes. Só que, infelizmente, Ronaldinho é um só e o talento nas conclusões não é uma virtude muito comum no restante do elenco.

Ao contrário de R10, Thiago Neves fez, quem sabe, a pior atuação envergando o Manto Sagrado. Errou tudo o que tentou. Desde passes simples até lançamentos, passando por uma conclusão, aos 48 do segundo tempo, que poderia ter antecipado o fim da agonia dos fiéis rubro-negros no Moacyrzão. Após bela jogada, em que conseguiu se livrar de dois ou três oponentes, escolheu cuidadosamente o canto direito do arqueiro banguense e tocou, de chapa... para fora. Por um capricho do destino, poderia ter se tornado o herói do jogo, mas acabou mesmo indo dormir abraçado com a rechonchuda, mas afetuosa Cremilda. Que tenha bons sonhos. Domingo, contra as meninas do laranjal, o Regenerado terá que comprovar se já faz realmente jus à alcunha ou se seu sangue ainda está maculado de qualquer gota de tonalidade rósea ou vestígio de pó-de-arroz. A conferir.

Luxemburgo disse já ter encontrado o “desenho tático ideal da equipe”. Mas não foi o que pareceu quando, no intervalo, sacou Leo Moura e Willians, justamente os dois atletas mais regulares do time há, pelos menos, um ano. Arriscou ao improvisar o claudicante Fierro na lateral-direita e Renato Abreu como volante. Acertou, isto sim, com a entrada de Diego Maurício pela ponta-direita. O garoto não titubeou e foi pra cima dos defensores da novecentista Fábrica de Tecidos.

Assim como o leão Wanderley, DM mostrou-se incansável e, mesmo que, por vezes, se perdesse em meio à bola, as canelas adversárias e as próprias, não descansou um minuto sequer. Tampouco deixou de acreditar que a vitória seria possível. E, quando os rubro-negros menos otimistas já jogavam a toalha e a torcida arco-iris já deixava à mostra o sarcástico sorriso no cantinho dos lábios, eis que, aos 50 minutos da etapa final, nosso indefectível Drogbinha desfere certeira cabeçada enviando a pelota para o fundo do entrelaçado de filó, demonstrando que o puro sangue rubro e negro não corre nas veias de qualquer um.

Ainda houve tempo para, na saída de bola, os bravos atletas alvirrubros lutarem pelo tento de empate. No entanto, o esforço dos jogadores do bairro proletário mostrou-se vão perante à superioridade do magnânimo, insuperável e senhor absoluto de terras fluminenses, Clube de Regatas do Flamengo.

Não ao Imperador

Luxemburgo parece ter acabado de vez com as especulações: Adriano não joga no Flamengo em 2011. Mandou bem ao dizer isso em alto e bom som após a partida contra o Bangu em Macaé. Chamou para si a responsabilidade, o bônus e, por que não, o ônus da não contratação do Imperador.

Se efetivar a contratação – o que não parece provável, diante das indicações da presidente Patrícia Amorim - a diretoria estará dando um sinal de que o técnico não fica no clube. O que não parece possível após a conquista, de maneira invicta, da Taça Guanabara, vitórias nos dois primeiros jogos da Taça Rio e o início animador na Copa do Brasil.

A declaração do comandante rubro-negro é mais uma demonstração de sua forte personalidade e, mais do que isso, dos rumos de uma filosofia bem definida. Foi o que faltou aos três técnicos que o antecederam em 2010: Andrade, Rogério e Silas.

Discordo de muitas decisões de Luxemburgo. Muitas vezes, acho o time mal escalado e contesto suas substituições. Na última quinta, por exemplo, apesar dos apelos da torcida e da clara falta de mobilidade no ataque, teimou em não lançar o habilidoso e veloz Guilherme Negueba. Só para dizer que tem “ideias próprias”. Mas a virtude de todo comandante é tomar decisões sob pressão.

No caso de Adriano, Luxa pode até estar errado. Isto se o Imperador for contratado por alguma agremiação de plagas bandeirantes ou por algum co-irmão de terras cariocas e conquistar títulos como o que venceu com o Manto Sagrado em 2009. Mas pelo histórico de confusões e indecisões sobre os rumos da própria vida, o Imperador parece estar, isto sim, em busca da aposentadoria precoce.

Por fim, vale lembrar que, se a diretoria abre mão de um centroavante com recente passado de conquistas com o Manto Sagrado e identificação imediata com a torcida, é porquê tem alguma carta na manga. Não é demais lembrar que no final do ano teremos eleições no clube e o custo político de uma não contratação com tanto apelo popular (90%, segundo pesquisa de um grande portal da internet) precisa ser muito bem pensada. É possível que outro nome de peso esteja a caminho. Luis Fabiano? Este parece já estar com um pé em terras bambis. Vagner Love (meu favorito)? Apesar de declaradamente rubro-negro, sua liberação é difícil demais, diante da resistência dos russos.

Quem dá mais?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Amor, sublime amor

Ah, o amor, ferida que dói e não se sente, como dizia o poeta. O sentimento mais nobre e puro d´alma humana. Pobre daquele que jamais amou. Presenteado pelo destino, no Dia Internacional da Mulher, presto uma singela homenagem à amada.

Rubro-negra por vocação, passou a amar também o objeto de minha paixão. Acompanhar jogos e resenhas pós-partidas tornou-se rotina. Nos estádios e comemorações, lá está ao lado do amado. Esforçada, sabe de cor as 17 leis do bruto esporte bretão (inclusive a de número 11). Aplica-se ainda em conhecer, não apenas os nomes de atletas, como também de técnicos, árbitros e comentaristas. Alguns tornaram-se, mesmo, parte da família, de tanto assisti-los de domingo a domingo.

Se, por vezes, demonstra-se contrariada com os brados de altos decibéis, também prova companheirismo ao dividir os sorrisos das vitórias e as lágrimas das derrotas. Nas comemorações, já enverga orgulhosamente o Manto Sagrado como se trajasse indumentária de gala.

Por essas e outras que meu maior prazer é vê-la brilhar, seja na terra, no ar ou no mar. Eu teria um desgosto profundo se, um dia, me faltasse um segundo. Sempre a amarei. Onde estiver, estarei. Amo-a com ternura, devoção e ardor. Tal qual à nossa paixão comum.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Folia sem freio

É carnaval! Os habitantes da Cidade Maravilhosa param durante cinco dias, deixando de lado as obrigações e se entregam a esta ofegante epidemia, como canta Chico Buarque. Chutar o balde, enfiar o pé na jaca, mandar o chefe, a sogra e o gerente do banco pro raio que o parta e voltar pra casa só na quarta-feira de cinzas é o sonho almejado durante todo ano e que pode ser realizado durante a folia de Momo.

Para parte da população, as comemorações têm início na sexta com o desfile de blocos e bailes à fantasia. Mas não para a magnânima torcida rubro-negra. Sim, porque nós, seres cuja altivez e alegria transcendem o estado de espírito e se faz perceber no olhar erguido, postura ereta e caminhar firme, os festejos já começaram desde o último domingo. O bonde do Mengão sem freio saiu do Engenhão, ganhou as ruas do Rio e até hoje não houve quem pudesse pará-lo.

Neste sábado tem mais um jogo contra o... contra quem mesmo? Ah, não importa, certamente atropelaremos impiedosamente mais um adversário e não deixaremos sequer vestígio do Urubólide. A Taça Rio pode ser o atalho para o 32º  título Estadual de nossa história. Quando o conquistarmos, comprovaremos mais uma vez nossa superioridade contra as meninas do laranjal, que se arrogam o direito de dizer que têm o melhor elenco e técnico do Brasil; a cachorrada sofredora, que ficou toda animadinha com o carioquinha de 2010, após uma vitória desenxabida contra o time que ainda não havia curado a ressaca das noites anteriores mal dormidas; e dos portugueses campeões mundiais de vice-campeonatos, que há muito tempo já se conformaram com a sina de levar uma surra no lombo do rolo compressor encarnado e negro.

Por isso, nação rubro-negra, neste carnaval faça a festa nas ruas, bailes e passarelas de todo o país. Comemore sem medo de ser feliz nossa história triunfal, o presente glorioso e o futuro alvissareiro. Dois mil e onze tem tudo para ser o ano da redenção do clube mais querido do Brasil e da maior torcida do mundo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Feliz Natal!

Nesta quinta-feira, dia 3 de março, a Nação Rubro-Negra celebra o nascimento de seu Messias. Há exatos 58 anos nascia Arthur Antunes Coimbra, ou Nosso Senhor Zico, para a imensa massa de mais de 40 milhões de apaixonados seguidores do Clube de Regatas do Flamengo.

Quando envergou com celestial genialidade o Manto Sagrado número 10, Zico costumava lotar o Maracanã, o Templo Sagrado Rubro-Negro. Os fiéis súditos reverenciavam seu Deus à espera da salvação, mesmo que, algumas vezes, a redenção pudesse parecer um milagre, o que, não raro, Ele era capaz de operar.

Ainda que tenham sido os que mais vezes se regozijaram em júbilo pela entidade divina, não foram apenas os fervorosos freqüentadores do Maracanã a apreciar as maravilhas executadas por Zico. Por quatro vezes o Jesus Rubro-Negro levou o Flamengo ao topo do Brasil. E, em 1981, auxiliado por dez santos apóstolos, trouxe para a Gávea - o Vaticano Rubro-Negro - as taças do Mundo e das Américas.

Zico também viveu sua via crucius, martirizado por Márcio “Pilatos” Nunes, o centurião banguense. As dores insuportáveis no joelho abreviaram sua estada no mundo dos atletas. Mas sua essência divina foi comprovada no dia 6 de janeiro de 1990, quando o Galinho de Quintino deu adeus ao mundo terreno dos jogadores mortais para passar à História como Criador do céu e da terra rubro-negros.

Em 2010, ensaiou-se a ressurreição. Mas no julgamento à moda romana, os pecadores elegeram a salvação de Capitão “Barrabás” Léo. Perdoai-vos, senhor, eles não sabem o que dizem! Nem o que fazem. Mas, de acordo com as sagradas escrituras, há de chegar o dia em que Ele voltará para nos redimir de todos os males e levar-nos ao Reino dos Céus.

Amém!

terça-feira, 1 de março de 2011

Questão de alma

Andam dizendo por aí que adoeci. Estou fanático demais pelo Flamengo. Já não como, durmo, trabalho ou estudo sem falar no meu time de coração. Não me dedico mais à minha esposa, pais e amigos como me devoto ao Pavilhão Vermelho e Preto. Nas conversas de cama, mesa e bar já não se ouvem outra coisa se não as glórias do Mais Querido. Andam até dizendo que vou pôr tudo a perder: mulher, emprego, todo o meu (pouco) dinheiro e, pasmem... até a vida! Tudo isso por causa da minha paixão primaz.

Querem que eu seja uma pessoa diferente: não acompanhe mais as resenhas esportivas, não grite após os gols, não xingue o juiz, não reclame das jogadas equivocadas ou dos (raros) revezes de nossa agremiação. Pedem para que eu use outras roupas além do Manto Sagrado Encarnado e Negro, assobie outras canções além dos cantos de nossa torcida e leia outros jornais que não aqueles que exaltam os triunfos de nosso clube do coração.

Há de chegar o dia em que trocarei o samba pela ópera. Abandonarei a roda de batuque harmonioso e gingado irresistível pelos refinados concertos líricos do Municipal, freqüentados pela alta sociedade carioca. Deixarei de tomar o chope das sextas-feiras com os colegas de trabalho e rumarei às degustações ao lado dos enólogos, especialistas nos aromas e sabores de vinhos franceses, italianos e chilenos. Doarei meus uniformes rubro-negros aos necessitados e vestirei apenas camisa de puro linho para dentro da calça engomada, sapato engraxado e caminharei pelas ruas em passos elegantes, sutilmente efeminados.

Sobre futebol, falarei apenas de quatro em quatro anos, em tempos de Copa do Mundo e indagarei a quem estiver mais perto: “Ganso e Pato são jogadores da mesma família?” Ao perguntarem sobre meu time do coração, responderei sem titubear: “Não ligo mais para isso, não. Esses foram outros tempos. Agora só torço para o Brasil”.

Quando esse dia chegar e me encontrares em uma esquina qualquer da cidade, não se aproxime muito. Sequer cutuque meu ombro ou tampouco acene do outro lado da rua. Muito menos chame meu nome, pois não mais atenderei. Sequer lembrar-me-ei de ti ou terei qualquer lembrança de minha vida regressa. Quando esse dia chegar, eu não serei mais eu.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

É campeão!

Na disputa entre os dois melhores times do primeiro turno, venceu aquele com melhor aproveitamento, defesa menos vazada e mais jogadores talentosos dentro de campo. O Flamengo é campeão da Taça Guanabara com legitimidade e justiça e até agora não ouvi um argumento sequer da torcida arco-íris dizendo o contrário.

Não me venham dizer que ganhamos de “um time de menor investimento”. O Boavista está longe de ser um América ou um Bangu da vida. É uma equipe de aluguel, formada por jogadores de empresários, bem treinada por Alfredo Sampaio – velha e felpuda raposa do ludopédio fluminense – e que sequer tem tanta identificação assim com a cidade de Saquarema. O clube leva seus treinos ao bem equipado centro de treinamento do Tigres do Brasil, em Duque de Caxias, local de invejável infraestrutura. Por essas e outras, chegou, com méritos, à final, após vencer o Vice da Gama, na fase de grupos, e as meninas do laranjal nas semifinais, em cobranças de penalidades.

Na partida do último domingo, nosso amantíssimo treinador, mais uma vez, quis aprontar das suas. Não bastasse escalar Ronaldinho Gaúcho como centroavante, lançou Bottinelli como principal articulador de jogadas do time. O argentino, que atuou apenas 45 minutos na partida contra o Nova Iguaçu, há quase um mês, teve mais uma atuação discreta. Será que Luxemburgo imaginou que, mesmo assim, “Botti”, com já vem sendo chamado pelos companheiros do “bonde”, jogaria uma barbaridade? Por isso é que não cabe aqui criticar o jogador que, acredito, ainda pode mostrar qualidade vestindo o Manto Sagrado.

No segundo tempo, Luxa lançou o xodó Negueba. Além da já conhecida "alegria nas pernas", o moleque mostrou que tem mesmo é o diabo no corpo. Conseguiu (com o perdão do trocadilho) botar fogo na partida e incendiar seus companheiros que pareciam um tanto quanto acomodados e convictos que decidiriam o jogo a hora que quisessem.

O Boavista jogava fechadinho, como era de se esperar, e só assustava a torcida do Mengão em bolas alçadas na aera. Mas os sustos se deviam mais ao temor do estabanado Wellington, da limitação técnica de Egídio, dos passes errados de Willians e da má forma física de Maldonado, do que propriamente de grandes lances dos atacantes da equipe saquaremense.

Thiago “Renegerado” Neves foi o melhor em campo. Incansável, podia ser visto quase que como figura onipresente em todas as partes do gramado. Criou as melhores jogadas do time enquanto Ronaldinho esteve preso à marcação adversária e Bottinelli se perdia na ausência quase que completa de entrosamento. Foi dele e de Ronaldinho a jogada que resultou no gol do título, do qual falaremos adiante.

Léo Moura foi outro gigante. Como vem acontecendo nas últimas partidas, era o homem do desafogo pela direita, o toque mais lúcido na bola, a jogada esperada por todos mas não executada por ninguém. Merecia um gol. Teve a chance no primeiro tempo, quando bateu cruzado e a bola desafortunadamente passou raspando a trave. No segundo, em arrancada quase no final do jogo, invadiu como quis a grande área até chegar no bico da pequena. Poderia ter afundado o goleiro e furado a rede. Mas não foi fominha e cruzou para trás, no que teve a jogada interceptada pela defesa. Uma pena!

Mas Ronaldinho mostrou para o Brasil por que, mesmo sem estar mais no auge de sua forma física e técnica, ainda é um jogador capaz de decidir as partidas e dar títulos à Nação. Enquanto esteve preso à zaga do time de Saquá, deu trabalho, ao mesmo tempo, a dois defensores, o que permitia a movimentação de Thiago Neves e Bottinelli. Quando da entrada de Negueba e Diego Maurício, recuou um pouco mais e conseguiu tabelar com os demais jogadores de armação, criando as oportunidades mais perigosas do time.

Foi numa dessas que surgiu o gol que nos deu a 19ª Taça Guanabara de nossa história. O toque na intermediária para Thiago Neves obrigou o brucutu do time verde a cometer falta desclassificante. Confesso que pedi que Renato fosse para a bola, devido aos aproveitamentos recentes dos dois cobradores da equipe. Mas Ronaldinho pareceu concentrar-se e evocar as vibrações de Zico e Petkovic. A curva desferida pela bola deixou incrédulos tanto a torcida quanto os jogadores adversários. O bom goleiro Tiago, que minutos antes retardava o tiro de meta para que a partida fosse decidida nos pênaltis, nada pôde fazer.

Depois, restou aos jogadores comemorarem ao som do “Bonde do Mengão sem freio” e embalar a Nação Rubro-Negra de todo o Brasil em mais uma tarde de alegria.

A alegria de ser rubro-negro

Apesar da segunda-feira chuvosa, a maioria esmagadora dos cariocas despertou mais feliz na Cidade Maravilhosa. As camisas rubro-negras envergadas pelos altivos torcedores do Mais Querido do Brasil e as bandeiras desfraldadas nas janelas das casas e apartamentos comprovam empiricamente o que a nossa vã filosofia já sabia desde 40 minutos antes do Big Ben: com mais de 40 milhões de integrantes, somos a maior nação futebolística do mundo!

Não foram apenas os moradores do Rio de Janeiro que amanheceram mais dispostos para mais um dia de labuta. Afinal, o que têm em comum o representante do lumpen proletariado, o burguês bem aquinhoado, o senhor aposentado, o menino mimado, o adolescente transviado? A senhora dona-de-casa, a madame abastada, a menina espevitada, a baranga mal-amada? O ribeirinho amazônico, o lavrador do Recôncavo Baiano, o canavieiro alagoano? O peão sul-matogrossense, o servidor público brasiliense, o índio pataxó paraense? Todos trazem no coração e na alma o amor pelo clube mais democrático deste país-continente, que desconhece fronteiras geográficas, estratos sociais, diferenças de gênero, bem como barreiras étnicas e religiosas.

Logo, pelo bem de todo o povo brasileiro e, por que não dizer, do mundo, é saudável, alvissareiro e próspero que o Clube de Regatas do Flamengo seja a agremiação desportiva que mais vezes conquiste campeonatos, torneios e disputas de qualquer espécie em qualquer modalidade. Ver o Flamengo campeão pelo menos uma vez ao ano é benéfico não apenas ao bem-estar individual e coletivo. Mas também, aconselhável se almejarmos viver em um planeta mais feliz e harmonioso.

E é por isso que recomendo veementemente, para fins terapêuticos, psiquiátricos, holísticos, ou meramente hedonistas, que cada torcedor, imbuído de seu infindável orgulho, cante ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro. Em casa, na rua, na escola, no trabalho ou nos bares, grite, cante, entoe ou mesmo sussurre para quem quiser ou puder ouvir: somos campeões mais uma vez!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Feijão com arroz

Domingo acontece a primeira final do ano para o Flamengo. Mas pouco há de novo a ser dito. O elenco está começando um trabalho e a diretoria, em seu último ano de gestão, entra na reta final sem querer cometer os deslizes do ano desastroso que passou. Iniciamos bem 2011 com a conquista da Copinha, a contratação de Ronaldinho Gaúcho e os 100% de aproveitamento na Taça Guanabara. Temos tudo para continuar singrando águas tranqüilas.

No entanto, está claro que a equipe ainda não está pronta. Assim como a maioria absoluta dos times da 1ª divisão. Santos? Fluminense? Corinthians? Internacional? Grêmio? Cruzeiro? Desses, talvez apenas o último pareça estar um pouco à frente, devido às recentes goleadas na Libertadores (o que muitas vezes pode representar um retumbante engano, haja vista nosso co-irmão Vice da Gama). Mas experimente perguntar a um cruzeirense o que ele acha de Welington Paulista no comando de ataque e do mega star Roger reivindicando uma vaga na equipe titular, criando um racha no grupo.

O fato é que o Flamengo tem tudo para fazer parte da plêiade dos bambambans favoritos a ganhar os principais títulos nacionais em 2011. Com exceção feita à lateral-esquerda e ao comando de ataque, talvez não fiquemos devendo muita coisa aos demais clubes supracitados. Caso não venham novidades no segundo semestre, sugiro a escalação de Egídio e Wanderley, assim que este estiver recuperado. São limitados? Sim, mas motivados e confiantes podem fazer o feijão com arroz básico que precisamos para jantar nossos adversários caseiros. Não se esqueçam que na equipe campeã brasileira de 92, exceção feita a Júnior e Zinho, nosso escrete tinha nomes que nunca mais conseguiram ganhar nada em nenhuma outra agremiação, como Charles Guerreiro, Fabinho, Piá, Uidemar e Gaúcho. Isso sem citar Paulo Nunes e Júnior Baiano, jogadores de notória escassez técnica, mas que conseguiram enganar uns e outros pelo Brasil a fora.

Para o jogo de domingo, não há muito o que inventar. Tenho muito medo das criações rocambolescas do professor doutor Vanderlei Luxemburgo, que improvisa Angelim e Renato Abreu na lateral-esquerda, Ronaldinho Gaúcho como centroavante e a incógnita Bottinelli na armação, como fez no coletivo da última quinta-feira. Além de torcer para que nosso rei macedônico Felipe se recupere e mais uma vez envergue com nobreza e determinação o Manto Sagrado número 1, façamos o simples e escalemos os caras que vêm jogando e ganhando, ainda que sem grandes exibições circenses ou carnavalescas: "Não temos nada que dar espetáculo. Temos que ganhar os jogos", disse com singular sabedoria Thiago "Regenerado" Neves. Espero que nosso competente treinador não se esqueça que, na grande maioria das vezes, o bom e velho rice and beans desce muito melhor do que o enrolado e pretensioso rocambole.

Algumas palavras

Duas perguntas que vou tentar responder rapidamente antes que me perguntem, mas que já estão enchendo o saco:

1 - Despedida de Ronaldo Fofômeno com o Manto Sagrado? Essa foi a pior piada dos últimos tempos! Depois de o cara ter virado casaca do jeito que virou, não há mais nada o que dizer.

Fiquei cansado com tanta pieguice da Globo nos dias que sucederam sua aposentadoria. O cara teve uma grande história no Barcelona e na Seleção Brasileira. Depois do ostracismo, veio treinar na Gávea para se recuperar de mais uma lesão e acabou alimentando o sonho de toda a Nação, inclusive deste que vos escreve. Dizia-se rubro-negro e chegou macular a imagem do clube ao ser flagrado em atos lascivos com profissionais do (mesmo) sexo, trajando o Manto. Até que um dia, resolve anunciar que vai jogar nos Curíntia !!!

À época, defendeu-se dizendo que, depois de tanto tempo treinando, não recebeu nenhuma proposta – ou projeto, como gosta de dizer a turma muderninha do marketing futebolísco – do Flamengo. Porra, mas se ele queria tanto assim envergar a camisa 9 do clube que se dizia torcedor aficcionado, por que não pediu uns dias aos gambás e foi conversar com a diretoria rubro-negra? Podem chamar de romantismo, mas eu diria que trata-se da velha história: não é ilegal, mas é imoral. Se o Gordo ficou treinando, usando as instalações e o quadro de preparadores físicos, médicos e o escambau na Gávea, tinha como dever ético dar uma satisfação a esses profissionais. Sem contar à Nação, ainda iludida por devaneios fenomenais. Se, após conversar e não de não receber proposta alguma, muito bem, ele que seguisse seu rumo.

Mas agora não há nada a lamentar. O campeonato de 2009 foi a prova de que a então diretoria acertou em cheio. Adriano chegou e fez a alegria da Nação com seus 19 gols e o título de campeão brasileiro. Já Ronaldo e o Corinthians provaram que não passaram de um excelente projeto... de marketing.

2 - Adriano na Gávea em junho? A cada seis meses é a mesma historinha, quando não, a cada vinda do Imperador ao Rio.

Não consigo entender o que se passa na cabeça desse cara. Ele não disse que estava indo para o Roma, pois tinha uma dívida com os italianos (como se Internazionale e Roma fossem uma coisa só)? Menos de um ano depois, sem jogar praticamente nenhuma partida e sem fazer nenhum (eu disse nenhum) gol pelo seu novo velho clube, ele acha que acertou a tal dívida e quer voltar???

Adriano está pensando que vai ter vida fácil no Flamengo, mas (pelo menos) parece que Patrícia Amorim e Luxemburgo não estão dispostos a aceitar novamente os privilégios que o Imperador da Vila Cruzeiro tinha nos tempos de Andrade e Marcos Braz. Sim, porque, de acordo com o recente caso do bafômetro, o atacante parece que não mudou e nem parece muito a fim de se sacrificar pra limpar a sua barra. E a foto no aeroporto antes do embarque para a Itália, em que aparece com o rosto inchado, visivelmente acima do peso?

A cada dia acredito mais na hipótese, que ouvi na época. Gilmar Rinaldi teria pedido a Patrícia Amorim que liberasse o jogador antes do escândalo seguinte: a foto ao lado de traficantes do Comando Vermelho e os objetos decorativos que aludiam a armas de grosso calibre. A “transferência” não teria passado, isto sim, de uma fuga da justiça e dos holofotes da imprensa, até a poeira baixar

O problema é que a torcida já começa a cantar que “Adriano vai voltar”... e isso faz com que ele sinta que realmente pode tudo. O Imperador foi importante na conquista do brasileiro de 2009? Foi. Mas, como disse com propriedade Nosso Senhor Zico, foi um título que fez mal ao clube, por mais paradoxal que isso possa ser. Além do mais, ao contrário do que diz a maioria dos jogadores que já jogaram bola e depois caíram no ostracismo, não tem essa de que “não preciso provar mais nada a ninguém”.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Juvenal, o sofredor

Estive fora de casa na última quarta e não consegui assistir aos jogos da rodada. Por isso, hoje, logo pela manhã, liguei para o meu amigo Juvenal, botafoguense, sofredor, otimista e homem incuravelmente apegado ao passado de seu clube. Confira:
 
Eu: Fala, meu camarada. Tudo certo?
 
Juvenal: Beleza cara, e você?

Eu: Tô ótimo. Só que ontem não tava em casa e não consegui saber os resultados da rodada. Como foi o jogo do Botafogo?

Juvenal: Você tá me sacaneando...

Eu: É sério, cara, não pude ver os jogos. Me fala, vai.

Juvenal: Perdeu.

Eu: Mentira! De quanto?

Juvenal: 1 a 0.

Eu: Po, então foi apertado. Mas jogou contra quem?

Juvenal: River.

Eu: River Plate?

Juvenal: É.

Eu: Po, um time de tradição. Foi lá ou aqui?

Juvenal: Lá.

Eu: É o Monumental de Nuñez é um caldeirão. Muito difícil de jogar lá.

Juvenal: Não. O jogo foi em Sergipe.

Eu: Ué, mas por quê?

Juvenal: Porque o River é de lá.

Eu: Peraí, não to entendendo mais nada. O River não é aquele time com a faixa vermelha no peito?

Juvenal: É.

Eu: Então.

Juvenal: Acontece que tem um time com esse nome em Sergipe, que disputa a Série D do Brasileirão.

Eu: Sério, cara? Poxa, e o Botafogo perdeu de um time da Série D?

Juvenal: Pois é. 

Eu: Mas o que houve?

Juvenal: Po, o Joel é uma bosta de técnico, retranqueiro do cacete!

Eu: Mas o time deles não é bom não?

Juvenal: Que nada! 

Eu: Mas peraí, me explica uma coisa que eu não to entendendo. Contra o Flamengo, vocês disseram que o juiz roubou vocês. Agora, que a culpa foi do Joel. Será que não é o Botafogo que tem um time pior ou tá jogando pior do que os outros, não?

Juvenal: Que nada! A estrela solitária tem uma enorme tradição! Somos o time que teve mais jogadores na seleção brasileira na Copa do Mundo! Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho...

Eu: Po, mas isso já tem mais de 40 anos, cara...

Juvenal: Não importa! Somos o alvinegro glorioso!

Eu: Sei. Mas hoje em dia, o que vocês ganharam recentemente?

Juvenal: Ganhamos o Brasileiro em... 95... ganhamos o Estadual do ano passado em cima de vocês...

Eu: Bom, o Brasileiro tem 16 anos e o estadual vocês ganharam depois de terem sido três vezes vice, né?

Juvenal: Não interessa!

Eu: Então o que está acontecendo com o Botafogo?

Juvenal: Sabe como é, né? Tem coisas que só acontecem com o Botafogo.

Eu: Sei. Tem coisas que SEMPRE acontecem com o Botafogo.