sexta-feira, 6 de maio de 2011

Falando sério

Ao contrário do que ando ouvindo por aí, não acho que o time do Flamengo fez “a sua melhor atuação do ano” ontem à noite. Talvez eu não tenha visto o mesmo jogo que os grandes ludopediólogos nacionais. Mas, na opinião deste ignorante apreciador do bruto esporte bretão, que ainda acredita que cabeça de bagre não vira craque da noite pro dia, nosso esquadrão foi merecidamente derrotado e ainda se deu bem por não ter levado o terceiro gol quando o tal Geraldo, que pensa que é o Pelé do Ceará, isolou o gol mais mole da história, desde que Martin Soares Moreno conheceu a índia Iracema.

A equipe (mal) comandada por Luxemburgo foi a mesmíssima de sempre: lenta na transição entre a defesa e o ataque, sem jogadas pelas laterais e uma inoperância abissal no setor ofensivo. Rodrigo Alvim continua sem jogar porra nenhuma (ao que não é novidade) e seu amigo Ronaldinho Gaúcho, em solidariedade, decidiu que seu companheiro dos tempos de Gaymio não será vaiado sozinho.

No ataque, David até que melhorou desde a partida contra o Vasco, voltando um pouco mais para buscar o jogo, mas não é o centroavante, o artilheiro que o time precisa e a torcida espera. Wanderley é aquela coisa: disposição pra cacete, um gol aqui, outro acolá, mas sua irregularidade comprova que não tem bola para ser titular. Diego Maurício, mesmo aos trancos e barrancos, ainda é o melhor atacante do elenco. No entanto, a falta de uma sequência de jogos faz com que não tenha a confiança que precisa para tentar jogadas. É notório que nos jogos em que vem entrando, praticamente nos minutos finais do segundo tempo, já não arrisca mais os dribles e arrancadas que tanto empolgaram a torcida em 2010.

O que se viu ontem no Engenhão não foi obra do acaso. O Ceará jogou como tinha que ter jogado. Diria até que arriscou mais do que o previsto, dominando o Flamengo durante grande parte do primeiro tempo até chegar ao gol. Na base da raça, o Flamengo equilibrou a partida na etapa final. Thiago Neves, mais uma vez mal escalado, atuando pela direita e muito recuado, se fez notar apenas quando perdeu gol incrível, em que a bola explodiu no travessão; e em arrancada destrambelhada, quando saiu trombando com a defesa adversária até ser atropelado por um beque desembestado. 

O segundo gol dos cabras foi irregular. Disso poucos duvidam. Mas é inadmissível que Renato e Wellington simplesmente desistam da jogada sem que o juiz apite a infração. Quando Angelim tentou chegar junto no lance, já era tarde demais.

Por incrível que possa parecer, Fierro entrou bem na partida. Ficou claro que qualquer um pode jogar melhor do que Galhardo na lateral-direita e o chileno tem que ser o titular, caso Leo Moura não tenha condições para a partida de volta. Foi dele o cruzamento para o gol de Wanderley e mais um ou outro passe que foram as poucas opções ofensivas, no deus-nos-acuda a que o time se entregou no segundo tempo.

Semana que vem, é bom que Luxemburgo faça algum milagre ou o tão almejado sonho da tríplice coroa periga mesmo ir pro brejo.

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