O Flamengo joga neste domingo contra o Cabofriense em Macaé. Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves não atuam e o time já está classificado para as finais do Estadual, fatores que servem para tirar o foco da partida. Os coadjuvantes Wanderley, Negueba, Bottinelli e Diego Maurício esperam dar conta do recado, fazer tudo que o professor pediu e sair de lá com os três pontos etc etc etc. Mas o que anda mesmo mobilizando as atenções na Gávea e no Ninho do Urubu não é exatamente o desempenho dentro de campo de um dos dois únicos times invictos em todo o futebol brasileiro em 2011, pré-classficado tanto para a final do certame fluminense quanto para as oitavas de final da Copa do Brasil, com um elenco de estrelas do quilate de Ronaldinho e Thiago Neves, comandado por um dos técnicos mais vitoriosos do país, nas últimas décadas.
Nada disso é capaz de atrair mais as atenções do que a possível (ou provável) volta de Adriano. Não bastou Vanderlei Luxemburgo afirmar que ele não fazia parte dos planos da equipe, Patrícia Amorim divulgar nota oficial na imprensa corroborando a decisão do treinador, nem notícias dando conta do interesse do clube na contratação de Vagner Love. Como que ignorando as declarações da cúpula rubro-negra, Adriano concedeu entrevistas a um ou outro coleguinha reafirmando seu desejo de voltar a envergar as cores encarnado e negro do Manto Sagrado. Levado pelas declarações, Ronaldinho Gaúcho igualmente desconsiderou as orientações e manifestou sua vontade de jogar ao lado do amigo. E, como se não bastasse, ainda promoverá o encontro do Imperador com jogadores, diretoria e comissão técnica em sua festa de aniversário, neste domingo.
Antecedentes
Ainda não é de conhecimento público se, no último dia 10, antes da partida contra o Bangu, ao afirmar que Adriano “não fazia parte da filosofia de trabalho”, Luxemburgo já havia conversado sobre o tema com Patrícia e demais integrantes do futebol rubro-negro. Pelas declarações, sim, pois afirmava ser este “um consenso da diretoria”. Mas causou estranheza declarações da própria presidenta, no intervalo da mesma partida, dizendo ainda não ter se reunido com o técnico. Excesso de malandragem do primeiro, apostando alto que seu currículo venceria a queda de braço com os desejos da torcida e dos jogadores, ou desprestígio por parte da mandatária em relação ao treinador?
A segunda hipótese perdeu força quando a diretoria divulgou a tal nota negando interesse na contratação do atacante. Mas a maré parece ter começado a mudar quando, temendo a repetição do caso Ronaldo (o flamenguista de araque), notícias davam conta de que Adriano poderia estar acertando a ida para o Corinthians, mesmo que sua vontade fosse voltar ao Flamengo. A imprensa carioca não deixa o assunto morrer e, sempre que pode, aborda o tema com Luxemburgo, Patrícia, Ronaldinho e Adriano, protagonistas nesta novela rocambolesca. E aí, meu amigo, quando os jornais populares, sites de notícias e as redes sociais insistem, as arquibancadas reverberam em uníssono, retroalimentando a questão.
Na última sexta, após o treinamento da equipe, Luxemburgo cuspiu marimbondos na coletiva de imprensa, dando a entender que o assunto estava liquidado. No entanto, minutos mais tarde, em entrevista à Rádio Tupi, pareceu mais manso e disposto a reconsiderar a decisão. O que teria mudado? Dizem alguns colunistas que a negativa do técnico não passaria de um jogo de cena para valorizar o atual elenco, esperar pela recuperação física do atacante e as negociações avançarem. De fato, jamais se ouviu da boca do treinador “ou ele, ou eu”.
Próximos capítulos
Mas o que mais impressiona é que tudo isso esteja acontecendo em um momento em que o time vai ganhando seu jogos e se classificando nas competições que disputa. Tá certo que ainda não joga um futebol maravilhoso. Mas quem joga? Talvez, fora o Cruzeiro, não haja equipe dando espetáculo no Brasil neste momento. O Santos anda claudicante, mesmo com a dupla da moda Ganso e Neymar. Inter, São Paulo e Corinthians parecem estar acertando o time só agora, mesmo com a manutenção da base e da comissão técnica de 2010. Grêmio, Palmeiras e Fluminense vivem crises e indefinições internas. Os demais ainda estão muito longe disso.
Resta-nos aguardar os próximos capítulos. Só espero que todo o planejamento traçado com a vinda de Luxemburgo não seja afetado, mudado, sobrepujado e desfeito de uma hora para a outra porque partes da torcida, imprensa, grupo de jogadores e (quem sabe) da diretoria do clube acham que o problemático atacante - dito torcedor rubro-negro, que chutou o balde, meteu o pé na jaca e descabelou o palhaço na Libertadores de 2010 e virou as costas para o clube quando da primeira proposta para voltar à Europa, dizendo-se “em dívida com os italianos” - deve voltar.
Em vez de pagar o débito, aumentou-o ainda mais. Será que voltará ao Flamengo para pagar a dívida que tem, isto sim, com o time de coração? Ou, ao contrário, está voltando para receber o que diz ter direito de sua passagem anterior? Desse jeito, não apenas Adriano retornará ao clube. Mas também o zagueiro Álvaro e o técnico Andrade para comandar o bonde, mais sem freio ainda.
Isto é Flamengo.
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