segunda-feira, 21 de março de 2011

Cadê o 9?

Tamanho desinteresse no jogo do último domingo deu no que deu. O 0 a 0 pelo menos serviu como pretexto para o ronco no sofá após a feijoada e a cachaça no final da tarde. Nem mesmo o rubro-negro mais feladapôta merece ver seu Manto Sagrado maculado pelas exibições de Willians, Renato Abreu e Deivid ontem em Macaé. Parecia que todos estavam ali só pra passar o tempo antes do bumdalelê na casa de Ronaldinho Gaúcho, que aconteceria horas mais tarde.

O empate foi motivo suficiente para aqueles que reclamavam das atuações de R10 e Thiago Neves nunca mais ousarem manifestar-se. Mesmo com os olhos vendados e os pés e mãos amarrados, os dois sobram com folgas paquidérmicas em relação aos demais atletas do elenco. Se com ambos em campo, temos talento para superar o mais qualificado adversário do país – quiçá do mundo - não seria exagero dizer que sem eles, nosso time equivale-se aos esforçados oponentes cabofrienses. Afinal de contas, pelo menos no caso do jogo de ontem, os números não mentem.

Outra coisa: por que cargas d´água Diego Maurício ainda não é titular desse time se é, de longe, o melhor atacante do elenco? Sim, porque nem R10 nem Neves o são. No máximo, fazem as vezes de dianteiros quando as circunstâncias exigem. Mas nenhum tem a volúpia e fome pelo gol da Serena Willians rubro-negra. Uma pena suas duas bolas chutadas na trave no segundo tempo.

Wanderley parece não render o mesmo iniciando a partida do que quando entra ao longo do jogo. Negueba cada vez me convence mais que não passa de uma promessa de bom meia ou, no máximo, meia-atacante caindo pelas pontas. Mas ainda lhe falta tranqüilidade na hora do último passe e da finalização. E o Deivid? Após a cabeçada, de dentro da pequena área, sobre o gol do goleiro adversário na etapa final, acho que não vale a pena sequer nos ocuparmos de uma análise mais detalhada.

Só para concluir: tudo isso é indício de que em breve pode ter gente nova pintando na Gávea. Ou não tão nova assim. Só espero que o bom trabalho e a harmonia do grupo sejam preservados e nosso saudável hábito de gritar “é campeão” volte à rotina, sem que, para isto, tenhamos o ônus de figurarmos em páginas policiais ou revistas de fofoca.

sábado, 19 de março de 2011

Mais sem freio ainda

O Flamengo joga neste domingo contra o Cabofriense em Macaé. Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves não atuam e o time já está classificado para as finais do Estadual, fatores que servem para tirar o foco da partida. Os coadjuvantes Wanderley, Negueba, Bottinelli e Diego Maurício esperam dar conta do recado, fazer tudo que o professor pediu e sair de lá com os três pontos etc etc etc. Mas o que anda mesmo mobilizando as atenções na Gávea e no Ninho do Urubu não é exatamente o desempenho dentro de campo de um dos dois únicos times invictos em todo o futebol brasileiro em 2011, pré-classficado tanto para a final do certame fluminense quanto para as oitavas de final da Copa do Brasil, com um elenco de estrelas do quilate de Ronaldinho e Thiago Neves, comandado por um dos técnicos mais vitoriosos do país, nas últimas décadas.

Nada disso é capaz de atrair mais as atenções do que a possível (ou provável) volta de Adriano. Não bastou Vanderlei Luxemburgo afirmar que ele não fazia parte dos planos da equipe, Patrícia Amorim divulgar nota oficial na imprensa corroborando a decisão do treinador, nem notícias dando conta do interesse do clube na contratação de Vagner Love. Como que ignorando as declarações da cúpula rubro-negra, Adriano concedeu entrevistas a um ou outro coleguinha reafirmando seu desejo de voltar a envergar as cores encarnado e negro do Manto Sagrado. Levado pelas declarações, Ronaldinho Gaúcho igualmente desconsiderou as orientações e manifestou sua vontade de jogar ao lado do amigo. E, como se não bastasse, ainda promoverá o encontro do Imperador com jogadores, diretoria e comissão técnica em sua festa de aniversário, neste domingo.

Antecedentes

Ainda não é de conhecimento público se, no último dia 10, antes da partida contra o Bangu, ao afirmar que Adriano “não fazia parte da filosofia de trabalho”, Luxemburgo já havia conversado sobre o tema com Patrícia e demais integrantes do futebol rubro-negro. Pelas declarações, sim, pois afirmava ser este “um consenso da diretoria”. Mas causou estranheza declarações da própria presidenta, no intervalo da mesma partida, dizendo ainda não ter se reunido com o técnico. Excesso de malandragem do primeiro, apostando alto que seu currículo venceria a queda de braço com os desejos da torcida e dos jogadores, ou desprestígio por parte da mandatária em relação ao treinador?

A segunda hipótese perdeu força quando a diretoria divulgou a tal nota negando interesse na contratação do atacante. Mas a maré parece ter começado a mudar quando, temendo a repetição do caso Ronaldo (o flamenguista de araque), notícias davam conta de que Adriano poderia estar acertando a ida para o Corinthians, mesmo que sua vontade fosse voltar ao Flamengo. A imprensa carioca não deixa o assunto morrer e, sempre que pode, aborda o tema com Luxemburgo, Patrícia, Ronaldinho e Adriano, protagonistas nesta novela rocambolesca. E aí, meu amigo, quando os jornais populares, sites de notícias e as redes sociais insistem, as arquibancadas reverberam em uníssono, retroalimentando a questão.

Na última sexta, após o treinamento da equipe, Luxemburgo cuspiu marimbondos na coletiva de imprensa, dando a entender que o assunto estava liquidado. No entanto, minutos mais tarde, em entrevista à Rádio Tupi, pareceu mais manso e disposto a reconsiderar a decisão. O que teria mudado? Dizem alguns colunistas que a negativa do técnico não passaria de um jogo de cena para valorizar o atual elenco, esperar pela recuperação física do atacante e as negociações avançarem. De fato, jamais se ouviu da boca do treinador “ou ele, ou eu”.

Próximos capítulos

Mas o que mais impressiona é que tudo isso esteja acontecendo em um momento em que o time vai ganhando seu jogos e se classificando nas competições que disputa. Tá certo que ainda não joga um futebol maravilhoso. Mas quem joga? Talvez, fora o Cruzeiro, não haja equipe dando espetáculo no Brasil neste momento. O Santos anda claudicante, mesmo com a dupla da moda Ganso e Neymar. Inter, São Paulo e Corinthians parecem estar acertando o time só agora, mesmo com a manutenção da base e da comissão técnica de 2010. Grêmio, Palmeiras e Fluminense vivem crises e indefinições internas. Os demais ainda estão muito longe disso.

Resta-nos aguardar os próximos capítulos. Só espero que todo o planejamento traçado com a vinda de Luxemburgo não seja afetado, mudado, sobrepujado e desfeito de uma hora para a outra porque partes da torcida, imprensa, grupo de jogadores e (quem sabe) da diretoria do clube acham que o problemático atacante - dito torcedor rubro-negro, que chutou o balde, meteu o pé na jaca e descabelou o palhaço na Libertadores de 2010 e virou as costas para o clube quando da primeira proposta para voltar à Europa, dizendo-se “em dívida com os italianos” - deve voltar.

Em vez de pagar o débito, aumentou-o ainda mais. Será que voltará ao Flamengo para pagar a dívida que tem, isto sim, com o time de coração? Ou, ao contrário, está voltando para receber o que diz ter direito de sua passagem anterior? Desse jeito, não apenas Adriano retornará ao clube. Mas também o zagueiro Álvaro e o técnico Andrade para comandar o bonde, mais sem freio ainda.

Isto é Flamengo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Passeio em Fortaleza

Na terra da carne de sol, o Flamengo encontrou, na verdade, uma carne assada. Tremenda mamata esse joguinho de quarta à noite para a representação Encarnada e Negra. Mesmo com alguns jogadores saindo do vestiário sem tomar banho após a partida, o Mais Querido enfiou três na sacola do genérico cearense das meninas do laranjal. Só para não perder o hábito.

E olha que nosso time fez de tudo para não fazer os dois gols necessários para eliminar o jogo de volta. Nossos beques Wellingbauer e David Baresi queriam a todo custo entregar a rapadura, só porque estavam na capital nacional do doce de pinga. Devem ter tomado algumas doses antes. Só para acabar o parágrafo relacionando os moles da defesa, até o rei macedônio Felipe andou aprontando das suas. Mais uma vez confirmou sua mais recente especialidade: bater roupa para o meio da área. Parecia que os caras tavam querendo mesmo jogar no Engenhão semana que vem. Só esqueceram de combinar com o adversário, como já ensinava Garrincha meio século atrás.

Antes de falarmos sobre os gols que garantiram a classificação antecipada, não posso deixar de lembrar que, mais uma vez, nosso magnânimo comandante lançou mão de alterações rocambolescas, como lhe é peculiar. A presença do gringo Bottinelli tem se mostrado tão ou mais injustificável quanto a de Deivid. O argentino pode até ter talento lá em plagas platinas ou andinas. Mas envergar o Manto Sagrado não é para qualquer um. Enquanto isso, o jovem e promissor Vander, que, ao menos, demonstrou disposição quando atuou, nem no banco tem ficado.

Outra prova incontestável do elevado grau de teimosia de nosso treinador reside na escalação/não-escalação/substituição/não-substituição do garoto Negueba. Parece que é só a galera começar a gritar o nome do moleque para o PhD Dr Sc. Luxemburgo olhar de soslaio para um de seus auxiliares, cruzar os braços, coçar o queixo e indagar: “Quem essa gente está pensando que é?”. E pronto, mais um jogo que o neguinho não entra. Vamos combinar assim: quando o time tiver naquela merda de dar gosto, passem a clamar pelos nomes de “Wellington”, “Egídio”, “Bottinelli”, “Rodrigo Alvim” e “Fernando” pra ver se o cara coloca o garoto em campo.

Mas se a retaguarda vacila, o treinador insiste em achar que é o Rinnus Michels do século XXI e os valentes oponentes decendentes de Martins Soares Moreno não aproveitam, nosso ataque não tem culpa! E, mesmo jogando já pensando no pagode prolongado do final de semana – já que não atuará pelo estadual na próxima rodada – o Camisa 10 Mais Querido do Mundo conseguiu dar três passes que simplesmente selaram a vitória Preta e Vermelha na terra de Iracema. No primeiro, Ronaldinho É Seleção Gaúcho lançou Thiagão Corredor Neves que serviu Renatão Coice de Mamute Abreu fuzilar o barbante dos tricoletes fortalezences.

No segundo, mais uma troca de passes entre os dois próximos titulares do meio-campo canarinho para a cabeçada fulminante, inapelável e decisiva de Wanderley, o Alucinado, que provou mais uma vez que terá muito futuro com o Manto Sagrado. Após o árbitro indicar o centro de campo, confirmando o tento, o novo Nunes mostrou a disposição de um mendigo cearense atrás de um prato de buchada e correu pra galera como se não houvesse amanhã.

Por fim, quando as valentes meninas tricoletes já decidiam se curtiriam a noite no Queens ou no Dona Santa, eis que o ex-futuro-melhor-do-mundo serve com categoria e precisão nosso promissor Drogbinha para fechar o caixão purpurinado das três cores que traduzem... eliminação. 

Ao soar o apito final, foi possível ouvir o tradicional grito dos peladeiros ostentando toda sua soberba e altivez, após mais uma acachapante vitória: “De foraaaaa!”

Quachá-quachá do cu ligeiro

A rodada da última terça na Champions League teve como destaque a vitória do Internazionale de Milão sobre o Bayern de Munique por 3 a 2. A vitória classificou a equipe do técnico Leonardo para as quartas de final do certame, mas mostrou algo que pode preocupar o torcedor brasileiro. A má fase do goleiro Júlio César é visível. Mais uma vez o outrora melhor goleiro do mundo levou um frangaço que, não fosse o craque Eto´o, poderia ter eliminado a equipe.

Júlio César já vai para a casa dos 32 anos e parece que o gol sofrido contra a Holanda o abalou mais do que o normal. Em partida recente pelo Campeonato Italiano já havia batido roupa e sofrido o gol. O tento levado contra o time alemão apenas comprova a falta de confiança e desatenção por que passa o arqueiro. Recordo-me que em seus últimos tempos de Flamengo, Júlio, que já se consagrava com boas defesas, começou a pensar que era o tal. Entregou um jogo ganho contra o Atlético Paranaense na Arena da Baixada ao tomar dois gols em poucos minutos por falhas evidentes.

Claro que é normal um bom jogador passar por uma má fase. Principalmente um goleiro, posição em que um momento de indecisão, desatenção, displicência ou soberba pode custar a vitória de sua equipe e o trabalho de todo um ano ir por água abaixo. Está aí Barbosa como exemplo máximo de como um bom goleiro passa à história como frangueiro e até vilão nacional.

Clube do coração

Mas quero chegar a outro ponto. É um mero exercício de futurologia, mas o exemplo é recorrente ao longo dos anos. Quero dizer que não tardará o momento em que Júlio César virá à imprensa dizer que está com saudades do Brasil, que seu time de coração é o Flamengo e sonha voltar a envergar novamente o Manto Sagrado Encarnado e Negro.

O goleiro faz parte da mesma safra revelada no início dos anos 2000 e que, em pouco tempo, começou a deixar o clube. Faziam parte dele, além do arqueiro, o zagueiro Juan, o volante Felipe Melo e o atacante Adriano. O que esses três têm em comum? Após anos de sucesso na Europa, um breve declínio na carreira fez com que cogitassem voltar à Gávea. O argumento é mais ou menos o mesmo: “Minha casa é o Flamengo”, “Nasci ali para o futebol”, “Não posso parar sem vestir novamente a camisa rubro-negra”, ou algo parecido.

Ainda no primeiro semestre de 2009, Emerson, o Mercenário das Arábias, chorou ao deixar o clube, mas disse que tinha família para criar, que a proposta do Oriente Médio era irrecusável e que um dia regressaria. Foi, ficou um aninho lá e depois passou a vestir o pano purpurinado das três cores efeminadas. Em recente entrevista sobre o episódio, Zico, então gerente de futebol do Flamengo, revelou a farsa. A grana a ser desembolsada para ter Emerson de volta era alta para os padrões do clube na época e o atacante achou pouco o oferecido. Após ouvir a proposta, foi à casa de Alcides Antunes, então cartola do laranjal, que, com o auxílio luxuoso do patrocinador, praticamente dono do clube, fechou negócio rapidinho. Vagner Love é outro exemplo. Sou um fã de seu futebol e torço para a sua volta. Mas, apesar de rubro-negro declarado, não é maluco de trocar os milhões de euros anuais na gélida e obscura Rússia pelo verão, carnaval, cerveja, mulher e a torcida do Mengão. São os valores de nosso capitalismo, meus caros.

Honestamente, desejo que Júlio César, Juan, Adriano e Felipe voltem a jogar o fino futebol que aprenderam nas divisões de base do Mais Querido e que o consagraram na Europa. Mas, sinceramente, gostaria muito mais que Lionel Messi e Samuel Eto´o declarassem aos microfones, em bom espanhol ou francês, que sonham desde criança vestir o Manto Sagrado Preto e Vermelho do clube mais querido do mundo. Somos 40 milhões, não somos? Então, se, além da esmagadora maioria de jogadores de futebol do Brasil é torcedora do Flamengo, por que não pode haver uma criança argentina ou camaronesa que torça para as cores de nosso pavilhão?

Por isso, minha gente, não se surpreendam se, amanhã ou depois, forem surpreendidos com a notícia de que Adriano está assinando contrato com os gambás, o Vice da Gama ou com a agremiação das donzelas maquiadas. Em resumo, o negócio é o seguinte: jogador de futebol só ama três coisas na vida: dinheiro, mulher e cachaça. Se puderem ter essas três coisas, jogando em um clube popular, que garanta boa repercussão na mídia, ótimo. É o que trouxe e continua trazendo jogadores como Adriano, Vagner Love, Ronaldinho Gaúcho, Romário, entre outros para o Flamengo. O resto é quachá-quachá do cu ligeiro, como dizem os baianos. Ou, em bom português, papo pra encher os ouvidos de torcedor otário e vender camisas e souvenirs que hoje movimentam o mundo do futebol business.

Ídolo único

A primeira equipe do Flamengo que acompanhei foi o que se sagrou tetracampeão brasileiro em 1987. Aquele timaço contava com craques consagrados como Leandro, Edinho, Andrade, Renato e Zico, além de jovens promessas que depois viriam a se firmar no futebol brasileiro e mundial como Zé Carlos, Jorginho, Aldair, Leonardo, Aílton, Zinho e Bebeto. Desses, além de Leandro, que encerrou precocemente a carreira, o único que jamais defendeu as cores de outra agremiação futebolística no Brasil foi Ele. Zico transferiu-se para a pequena Udinese, em 1983, aos 29 anos de idade, em tempos difíceis para o Flamengo, que precisava fazer caixa e via na venda de seu maior craque a chance de se reerguer financeiramente. Dois anos depois, voltou para nos dar mais um título nacional, jogando no sacrifício, tomando infiltrações de cortisona no joelho para resistir às dores incessantes.

Por essas e outras que Ele foi, é e sempre será meu único ídolo. De jogadores, técnicos e dirigentes que vêm e vão, espero apenas profissionalismo e não me iludo com beijinho no escudo, lágrimas nos olhos e emoções de conveniência. Minhas únicas paixões e objetos de minha devoção no futebol são as cores, o clube (para o qual pago regiamente as mensalidades como sócio patrimonial), a camisa e a torcida rubro-negra, que jamais me decepcionarão.

terça-feira, 15 de março de 2011

Cabra macho rubro-negro

Nesta quarta-feira, o clube mais arretado do mundo recebe o brioso Fortaleza, no Estádio Castelão, onde mais uma vez contará com a maioria esmagadora da torcida. O colonizador maior do ludopédio nacional já aterrissou na terra de José de Alencar com altivez e autoridade para - assim como Martins Soares Moreno conquistou a bela índia Iracema - traçar com ardor, volúpia e sofreguidão a bem-intencionada representação cearense.

Mesmo sem jogar, nosso Angel´in já atua como o embaixador vermelho e preto. Ao pisar solo fortalezence, já demonstrou quem é que manda e deixou os adversários aperreados. “O nosso (objetivo) é ser campeão da Copa do Brasil e queremos matar o jogo da volta”, pressagiou o cabra macho encarnado e negro. A frase está soprando ao vento e já infla as velas do Mucuripe.

E, como diria o nosso comandante supremo, Vanderlei Pepe Guardiola Luxemburgo, o Flamengo é o Barcelona das Américas e a torcida pode esperar muitos títulos com o elenco estrelado que tem: Ronaldinho Messi Gaúcho, Thiago David Villa Neves, Guilherme Iniesta Negueba e Léo Dani Alves Moura, que – cá entre nós – tem muito mais bola que o original.

Por isso, fiéis aficcionados rubro-negros cearenses, podem ir deixando o jabá de molho e descascando o jerimum. Antes da partida, preparem um saboroso suco de caju harmonizado com a melhor pinga da terra. Ao final dos 90 minutos, para comemorar mais um triunfo rubro-negro, a indispensável rapadura.

E arre égua!

domingo, 13 de março de 2011

Recordando Nelson

O 0 a 0 no Fla x Flu do último domingo estava escrito 40 minutos antes do Big Ben. E, a cada volta do ponteiro, não era preciso a vidência de um Maomé ou Moisés de Cecil B. de Mille. Era batata que o marcador não seria alterado.

Nem Sobrenatural de Almeida seria capaz de mudar o panorama da partida. Como se não bastasse a indolência de ambas as equipes, o jovem árbitro escalado para o confronto fazia questão de se fazer notar por inversões de faltas, vantagens mal marcadas e cartões não aplicados. Espero que algum colega de profissão, após o duelo, tenha tido a lucidez de aconselhar-lhe ao pé do ouvido: ‘meu filho, envelheça!’.

Do banco de reservas, o pré-demitido Muricy Ramalho parecia agradecer aos céus. A partir desta semana, terá como comandados Ganso, Neymar e cia, esquecendo de uma vez por todas Gum, Marquinho e Leandro Euzébio. Já Luxemburgo parece querer surpreender a todos a cada rodada. Se Negueba sequer participou do jogo na última quinta, no clássico eterno começou jogando entre os 11. Perguntam-me: e Egídio? O que ainda faz Egídio com a camisa do Flamengo? Outro ainda indaga: e Fierro? Quem é o empresário de Fierro? Eita sujeito competente!

Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves estiveram muito bem marcados e sem companhia no ataque. Com as meninas do laranjal encolhidas medrosamente em seu campo defensivo, nossos armadores não encontravam espaço para apresentar todo o resplendor de seu futebol. Léo Moura também contava com a constante companhia de um oponente maquiado em seu encalço, o que reduzia sobremaneira nossas alternativas ofensivas.

De positivo, é justo destacar a segurança de Felipe e o vigor da dupla de zaga. Se Wellington e David Braz ainda estão longe de lembrarem Baresi e Beckenbauer, ao menos diminuíram quase a zero as chances do He-Man purpurinado e do Mercenário das Árábias.

Ao final, o placar em branco garantiu a nossa condição de única equipe invicta no atual certame e uma invencibilidade contra nosso co-irmão esquisitão para mais de quatro anos em estaduais. O empate ainda nos manteve como líderes do grupo A, à frente do cambaleante Vice da Gama. E, como se não bastasse, ainda assistimos à hilária demissão de Mauricy Humoralho após o derby. Elas que corram atrás agora se quiserem nos encontrar na grande final.

Tá certo que os fatos também nos mostrem que o time ainda parece taticamente meio torto, alguns jogadores ainda batam cabeça uns com os outros, nos falte um lateral-esquerdo talentoso, um centroavante eficiente e um zagueiro mais habilidoso e experiente para conquistarmos, aí sim, um grande título nacional e internacional. Mas, invictos, campeões da Taça GB e lideres do returno, só nos resta recordar Nelson: pior para o fatos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vitória puro sangue

Os sete mil torcedores que abdicaram do aconchego do lar e da segurança da família certamente não se arrependeram de comparecer ao Estádio Cláudio Moacyr, na chuvosa noite desta quinta-feira, em Macaé. Foi a melhor partida de futebol do ano de 2011 até o décimo dia do mês de março. O Clube de Regatas do Flamengo e o Bangu Atlético Clube reviveram em campo a magia dos épicos confrontos entre as duas agremiações que se digladiavam nos anos 60 pela hegemonia do ludopédio fluminense.

O primeiro tempo morno, marcado por duas discutíveis penalidades (uma para cada lado) deu lugar a uma etapa final eletrizante, digna de final de campeonato. Atuação destacada de Ronaldinho Gaúcho, que parecia querer mostrar que a folia momesca não afetaria seu rendimento nas quatro linhas. Jogando pela meia-esquerda, após a entrada de Diego Maurício no lugar de Willians, passou a demonstrar parte do repertório dos tempos de Grêmio, PSG e Barcelona. Recebendo a bola de frente para o gol, encarou os adversários, arriscou dribles e colocou os companheiros de frente para a meta inúmeras vezes. Só que, infelizmente, Ronaldinho é um só e o talento nas conclusões não é uma virtude muito comum no restante do elenco.

Ao contrário de R10, Thiago Neves fez, quem sabe, a pior atuação envergando o Manto Sagrado. Errou tudo o que tentou. Desde passes simples até lançamentos, passando por uma conclusão, aos 48 do segundo tempo, que poderia ter antecipado o fim da agonia dos fiéis rubro-negros no Moacyrzão. Após bela jogada, em que conseguiu se livrar de dois ou três oponentes, escolheu cuidadosamente o canto direito do arqueiro banguense e tocou, de chapa... para fora. Por um capricho do destino, poderia ter se tornado o herói do jogo, mas acabou mesmo indo dormir abraçado com a rechonchuda, mas afetuosa Cremilda. Que tenha bons sonhos. Domingo, contra as meninas do laranjal, o Regenerado terá que comprovar se já faz realmente jus à alcunha ou se seu sangue ainda está maculado de qualquer gota de tonalidade rósea ou vestígio de pó-de-arroz. A conferir.

Luxemburgo disse já ter encontrado o “desenho tático ideal da equipe”. Mas não foi o que pareceu quando, no intervalo, sacou Leo Moura e Willians, justamente os dois atletas mais regulares do time há, pelos menos, um ano. Arriscou ao improvisar o claudicante Fierro na lateral-direita e Renato Abreu como volante. Acertou, isto sim, com a entrada de Diego Maurício pela ponta-direita. O garoto não titubeou e foi pra cima dos defensores da novecentista Fábrica de Tecidos.

Assim como o leão Wanderley, DM mostrou-se incansável e, mesmo que, por vezes, se perdesse em meio à bola, as canelas adversárias e as próprias, não descansou um minuto sequer. Tampouco deixou de acreditar que a vitória seria possível. E, quando os rubro-negros menos otimistas já jogavam a toalha e a torcida arco-iris já deixava à mostra o sarcástico sorriso no cantinho dos lábios, eis que, aos 50 minutos da etapa final, nosso indefectível Drogbinha desfere certeira cabeçada enviando a pelota para o fundo do entrelaçado de filó, demonstrando que o puro sangue rubro e negro não corre nas veias de qualquer um.

Ainda houve tempo para, na saída de bola, os bravos atletas alvirrubros lutarem pelo tento de empate. No entanto, o esforço dos jogadores do bairro proletário mostrou-se vão perante à superioridade do magnânimo, insuperável e senhor absoluto de terras fluminenses, Clube de Regatas do Flamengo.

Não ao Imperador

Luxemburgo parece ter acabado de vez com as especulações: Adriano não joga no Flamengo em 2011. Mandou bem ao dizer isso em alto e bom som após a partida contra o Bangu em Macaé. Chamou para si a responsabilidade, o bônus e, por que não, o ônus da não contratação do Imperador.

Se efetivar a contratação – o que não parece provável, diante das indicações da presidente Patrícia Amorim - a diretoria estará dando um sinal de que o técnico não fica no clube. O que não parece possível após a conquista, de maneira invicta, da Taça Guanabara, vitórias nos dois primeiros jogos da Taça Rio e o início animador na Copa do Brasil.

A declaração do comandante rubro-negro é mais uma demonstração de sua forte personalidade e, mais do que isso, dos rumos de uma filosofia bem definida. Foi o que faltou aos três técnicos que o antecederam em 2010: Andrade, Rogério e Silas.

Discordo de muitas decisões de Luxemburgo. Muitas vezes, acho o time mal escalado e contesto suas substituições. Na última quinta, por exemplo, apesar dos apelos da torcida e da clara falta de mobilidade no ataque, teimou em não lançar o habilidoso e veloz Guilherme Negueba. Só para dizer que tem “ideias próprias”. Mas a virtude de todo comandante é tomar decisões sob pressão.

No caso de Adriano, Luxa pode até estar errado. Isto se o Imperador for contratado por alguma agremiação de plagas bandeirantes ou por algum co-irmão de terras cariocas e conquistar títulos como o que venceu com o Manto Sagrado em 2009. Mas pelo histórico de confusões e indecisões sobre os rumos da própria vida, o Imperador parece estar, isto sim, em busca da aposentadoria precoce.

Por fim, vale lembrar que, se a diretoria abre mão de um centroavante com recente passado de conquistas com o Manto Sagrado e identificação imediata com a torcida, é porquê tem alguma carta na manga. Não é demais lembrar que no final do ano teremos eleições no clube e o custo político de uma não contratação com tanto apelo popular (90%, segundo pesquisa de um grande portal da internet) precisa ser muito bem pensada. É possível que outro nome de peso esteja a caminho. Luis Fabiano? Este parece já estar com um pé em terras bambis. Vagner Love (meu favorito)? Apesar de declaradamente rubro-negro, sua liberação é difícil demais, diante da resistência dos russos.

Quem dá mais?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Amor, sublime amor

Ah, o amor, ferida que dói e não se sente, como dizia o poeta. O sentimento mais nobre e puro d´alma humana. Pobre daquele que jamais amou. Presenteado pelo destino, no Dia Internacional da Mulher, presto uma singela homenagem à amada.

Rubro-negra por vocação, passou a amar também o objeto de minha paixão. Acompanhar jogos e resenhas pós-partidas tornou-se rotina. Nos estádios e comemorações, lá está ao lado do amado. Esforçada, sabe de cor as 17 leis do bruto esporte bretão (inclusive a de número 11). Aplica-se ainda em conhecer, não apenas os nomes de atletas, como também de técnicos, árbitros e comentaristas. Alguns tornaram-se, mesmo, parte da família, de tanto assisti-los de domingo a domingo.

Se, por vezes, demonstra-se contrariada com os brados de altos decibéis, também prova companheirismo ao dividir os sorrisos das vitórias e as lágrimas das derrotas. Nas comemorações, já enverga orgulhosamente o Manto Sagrado como se trajasse indumentária de gala.

Por essas e outras que meu maior prazer é vê-la brilhar, seja na terra, no ar ou no mar. Eu teria um desgosto profundo se, um dia, me faltasse um segundo. Sempre a amarei. Onde estiver, estarei. Amo-a com ternura, devoção e ardor. Tal qual à nossa paixão comum.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Folia sem freio

É carnaval! Os habitantes da Cidade Maravilhosa param durante cinco dias, deixando de lado as obrigações e se entregam a esta ofegante epidemia, como canta Chico Buarque. Chutar o balde, enfiar o pé na jaca, mandar o chefe, a sogra e o gerente do banco pro raio que o parta e voltar pra casa só na quarta-feira de cinzas é o sonho almejado durante todo ano e que pode ser realizado durante a folia de Momo.

Para parte da população, as comemorações têm início na sexta com o desfile de blocos e bailes à fantasia. Mas não para a magnânima torcida rubro-negra. Sim, porque nós, seres cuja altivez e alegria transcendem o estado de espírito e se faz perceber no olhar erguido, postura ereta e caminhar firme, os festejos já começaram desde o último domingo. O bonde do Mengão sem freio saiu do Engenhão, ganhou as ruas do Rio e até hoje não houve quem pudesse pará-lo.

Neste sábado tem mais um jogo contra o... contra quem mesmo? Ah, não importa, certamente atropelaremos impiedosamente mais um adversário e não deixaremos sequer vestígio do Urubólide. A Taça Rio pode ser o atalho para o 32º  título Estadual de nossa história. Quando o conquistarmos, comprovaremos mais uma vez nossa superioridade contra as meninas do laranjal, que se arrogam o direito de dizer que têm o melhor elenco e técnico do Brasil; a cachorrada sofredora, que ficou toda animadinha com o carioquinha de 2010, após uma vitória desenxabida contra o time que ainda não havia curado a ressaca das noites anteriores mal dormidas; e dos portugueses campeões mundiais de vice-campeonatos, que há muito tempo já se conformaram com a sina de levar uma surra no lombo do rolo compressor encarnado e negro.

Por isso, nação rubro-negra, neste carnaval faça a festa nas ruas, bailes e passarelas de todo o país. Comemore sem medo de ser feliz nossa história triunfal, o presente glorioso e o futuro alvissareiro. Dois mil e onze tem tudo para ser o ano da redenção do clube mais querido do Brasil e da maior torcida do mundo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Feliz Natal!

Nesta quinta-feira, dia 3 de março, a Nação Rubro-Negra celebra o nascimento de seu Messias. Há exatos 58 anos nascia Arthur Antunes Coimbra, ou Nosso Senhor Zico, para a imensa massa de mais de 40 milhões de apaixonados seguidores do Clube de Regatas do Flamengo.

Quando envergou com celestial genialidade o Manto Sagrado número 10, Zico costumava lotar o Maracanã, o Templo Sagrado Rubro-Negro. Os fiéis súditos reverenciavam seu Deus à espera da salvação, mesmo que, algumas vezes, a redenção pudesse parecer um milagre, o que, não raro, Ele era capaz de operar.

Ainda que tenham sido os que mais vezes se regozijaram em júbilo pela entidade divina, não foram apenas os fervorosos freqüentadores do Maracanã a apreciar as maravilhas executadas por Zico. Por quatro vezes o Jesus Rubro-Negro levou o Flamengo ao topo do Brasil. E, em 1981, auxiliado por dez santos apóstolos, trouxe para a Gávea - o Vaticano Rubro-Negro - as taças do Mundo e das Américas.

Zico também viveu sua via crucius, martirizado por Márcio “Pilatos” Nunes, o centurião banguense. As dores insuportáveis no joelho abreviaram sua estada no mundo dos atletas. Mas sua essência divina foi comprovada no dia 6 de janeiro de 1990, quando o Galinho de Quintino deu adeus ao mundo terreno dos jogadores mortais para passar à História como Criador do céu e da terra rubro-negros.

Em 2010, ensaiou-se a ressurreição. Mas no julgamento à moda romana, os pecadores elegeram a salvação de Capitão “Barrabás” Léo. Perdoai-vos, senhor, eles não sabem o que dizem! Nem o que fazem. Mas, de acordo com as sagradas escrituras, há de chegar o dia em que Ele voltará para nos redimir de todos os males e levar-nos ao Reino dos Céus.

Amém!

terça-feira, 1 de março de 2011

Questão de alma

Andam dizendo por aí que adoeci. Estou fanático demais pelo Flamengo. Já não como, durmo, trabalho ou estudo sem falar no meu time de coração. Não me dedico mais à minha esposa, pais e amigos como me devoto ao Pavilhão Vermelho e Preto. Nas conversas de cama, mesa e bar já não se ouvem outra coisa se não as glórias do Mais Querido. Andam até dizendo que vou pôr tudo a perder: mulher, emprego, todo o meu (pouco) dinheiro e, pasmem... até a vida! Tudo isso por causa da minha paixão primaz.

Querem que eu seja uma pessoa diferente: não acompanhe mais as resenhas esportivas, não grite após os gols, não xingue o juiz, não reclame das jogadas equivocadas ou dos (raros) revezes de nossa agremiação. Pedem para que eu use outras roupas além do Manto Sagrado Encarnado e Negro, assobie outras canções além dos cantos de nossa torcida e leia outros jornais que não aqueles que exaltam os triunfos de nosso clube do coração.

Há de chegar o dia em que trocarei o samba pela ópera. Abandonarei a roda de batuque harmonioso e gingado irresistível pelos refinados concertos líricos do Municipal, freqüentados pela alta sociedade carioca. Deixarei de tomar o chope das sextas-feiras com os colegas de trabalho e rumarei às degustações ao lado dos enólogos, especialistas nos aromas e sabores de vinhos franceses, italianos e chilenos. Doarei meus uniformes rubro-negros aos necessitados e vestirei apenas camisa de puro linho para dentro da calça engomada, sapato engraxado e caminharei pelas ruas em passos elegantes, sutilmente efeminados.

Sobre futebol, falarei apenas de quatro em quatro anos, em tempos de Copa do Mundo e indagarei a quem estiver mais perto: “Ganso e Pato são jogadores da mesma família?” Ao perguntarem sobre meu time do coração, responderei sem titubear: “Não ligo mais para isso, não. Esses foram outros tempos. Agora só torço para o Brasil”.

Quando esse dia chegar e me encontrares em uma esquina qualquer da cidade, não se aproxime muito. Sequer cutuque meu ombro ou tampouco acene do outro lado da rua. Muito menos chame meu nome, pois não mais atenderei. Sequer lembrar-me-ei de ti ou terei qualquer lembrança de minha vida regressa. Quando esse dia chegar, eu não serei mais eu.