segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

É campeão!

Na disputa entre os dois melhores times do primeiro turno, venceu aquele com melhor aproveitamento, defesa menos vazada e mais jogadores talentosos dentro de campo. O Flamengo é campeão da Taça Guanabara com legitimidade e justiça e até agora não ouvi um argumento sequer da torcida arco-íris dizendo o contrário.

Não me venham dizer que ganhamos de “um time de menor investimento”. O Boavista está longe de ser um América ou um Bangu da vida. É uma equipe de aluguel, formada por jogadores de empresários, bem treinada por Alfredo Sampaio – velha e felpuda raposa do ludopédio fluminense – e que sequer tem tanta identificação assim com a cidade de Saquarema. O clube leva seus treinos ao bem equipado centro de treinamento do Tigres do Brasil, em Duque de Caxias, local de invejável infraestrutura. Por essas e outras, chegou, com méritos, à final, após vencer o Vice da Gama, na fase de grupos, e as meninas do laranjal nas semifinais, em cobranças de penalidades.

Na partida do último domingo, nosso amantíssimo treinador, mais uma vez, quis aprontar das suas. Não bastasse escalar Ronaldinho Gaúcho como centroavante, lançou Bottinelli como principal articulador de jogadas do time. O argentino, que atuou apenas 45 minutos na partida contra o Nova Iguaçu, há quase um mês, teve mais uma atuação discreta. Será que Luxemburgo imaginou que, mesmo assim, “Botti”, com já vem sendo chamado pelos companheiros do “bonde”, jogaria uma barbaridade? Por isso é que não cabe aqui criticar o jogador que, acredito, ainda pode mostrar qualidade vestindo o Manto Sagrado.

No segundo tempo, Luxa lançou o xodó Negueba. Além da já conhecida "alegria nas pernas", o moleque mostrou que tem mesmo é o diabo no corpo. Conseguiu (com o perdão do trocadilho) botar fogo na partida e incendiar seus companheiros que pareciam um tanto quanto acomodados e convictos que decidiriam o jogo a hora que quisessem.

O Boavista jogava fechadinho, como era de se esperar, e só assustava a torcida do Mengão em bolas alçadas na aera. Mas os sustos se deviam mais ao temor do estabanado Wellington, da limitação técnica de Egídio, dos passes errados de Willians e da má forma física de Maldonado, do que propriamente de grandes lances dos atacantes da equipe saquaremense.

Thiago “Renegerado” Neves foi o melhor em campo. Incansável, podia ser visto quase que como figura onipresente em todas as partes do gramado. Criou as melhores jogadas do time enquanto Ronaldinho esteve preso à marcação adversária e Bottinelli se perdia na ausência quase que completa de entrosamento. Foi dele e de Ronaldinho a jogada que resultou no gol do título, do qual falaremos adiante.

Léo Moura foi outro gigante. Como vem acontecendo nas últimas partidas, era o homem do desafogo pela direita, o toque mais lúcido na bola, a jogada esperada por todos mas não executada por ninguém. Merecia um gol. Teve a chance no primeiro tempo, quando bateu cruzado e a bola desafortunadamente passou raspando a trave. No segundo, em arrancada quase no final do jogo, invadiu como quis a grande área até chegar no bico da pequena. Poderia ter afundado o goleiro e furado a rede. Mas não foi fominha e cruzou para trás, no que teve a jogada interceptada pela defesa. Uma pena!

Mas Ronaldinho mostrou para o Brasil por que, mesmo sem estar mais no auge de sua forma física e técnica, ainda é um jogador capaz de decidir as partidas e dar títulos à Nação. Enquanto esteve preso à zaga do time de Saquá, deu trabalho, ao mesmo tempo, a dois defensores, o que permitia a movimentação de Thiago Neves e Bottinelli. Quando da entrada de Negueba e Diego Maurício, recuou um pouco mais e conseguiu tabelar com os demais jogadores de armação, criando as oportunidades mais perigosas do time.

Foi numa dessas que surgiu o gol que nos deu a 19ª Taça Guanabara de nossa história. O toque na intermediária para Thiago Neves obrigou o brucutu do time verde a cometer falta desclassificante. Confesso que pedi que Renato fosse para a bola, devido aos aproveitamentos recentes dos dois cobradores da equipe. Mas Ronaldinho pareceu concentrar-se e evocar as vibrações de Zico e Petkovic. A curva desferida pela bola deixou incrédulos tanto a torcida quanto os jogadores adversários. O bom goleiro Tiago, que minutos antes retardava o tiro de meta para que a partida fosse decidida nos pênaltis, nada pôde fazer.

Depois, restou aos jogadores comemorarem ao som do “Bonde do Mengão sem freio” e embalar a Nação Rubro-Negra de todo o Brasil em mais uma tarde de alegria.

A alegria de ser rubro-negro

Apesar da segunda-feira chuvosa, a maioria esmagadora dos cariocas despertou mais feliz na Cidade Maravilhosa. As camisas rubro-negras envergadas pelos altivos torcedores do Mais Querido do Brasil e as bandeiras desfraldadas nas janelas das casas e apartamentos comprovam empiricamente o que a nossa vã filosofia já sabia desde 40 minutos antes do Big Ben: com mais de 40 milhões de integrantes, somos a maior nação futebolística do mundo!

Não foram apenas os moradores do Rio de Janeiro que amanheceram mais dispostos para mais um dia de labuta. Afinal, o que têm em comum o representante do lumpen proletariado, o burguês bem aquinhoado, o senhor aposentado, o menino mimado, o adolescente transviado? A senhora dona-de-casa, a madame abastada, a menina espevitada, a baranga mal-amada? O ribeirinho amazônico, o lavrador do Recôncavo Baiano, o canavieiro alagoano? O peão sul-matogrossense, o servidor público brasiliense, o índio pataxó paraense? Todos trazem no coração e na alma o amor pelo clube mais democrático deste país-continente, que desconhece fronteiras geográficas, estratos sociais, diferenças de gênero, bem como barreiras étnicas e religiosas.

Logo, pelo bem de todo o povo brasileiro e, por que não dizer, do mundo, é saudável, alvissareiro e próspero que o Clube de Regatas do Flamengo seja a agremiação desportiva que mais vezes conquiste campeonatos, torneios e disputas de qualquer espécie em qualquer modalidade. Ver o Flamengo campeão pelo menos uma vez ao ano é benéfico não apenas ao bem-estar individual e coletivo. Mas também, aconselhável se almejarmos viver em um planeta mais feliz e harmonioso.

E é por isso que recomendo veementemente, para fins terapêuticos, psiquiátricos, holísticos, ou meramente hedonistas, que cada torcedor, imbuído de seu infindável orgulho, cante ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro. Em casa, na rua, na escola, no trabalho ou nos bares, grite, cante, entoe ou mesmo sussurre para quem quiser ou puder ouvir: somos campeões mais uma vez!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Feijão com arroz

Domingo acontece a primeira final do ano para o Flamengo. Mas pouco há de novo a ser dito. O elenco está começando um trabalho e a diretoria, em seu último ano de gestão, entra na reta final sem querer cometer os deslizes do ano desastroso que passou. Iniciamos bem 2011 com a conquista da Copinha, a contratação de Ronaldinho Gaúcho e os 100% de aproveitamento na Taça Guanabara. Temos tudo para continuar singrando águas tranqüilas.

No entanto, está claro que a equipe ainda não está pronta. Assim como a maioria absoluta dos times da 1ª divisão. Santos? Fluminense? Corinthians? Internacional? Grêmio? Cruzeiro? Desses, talvez apenas o último pareça estar um pouco à frente, devido às recentes goleadas na Libertadores (o que muitas vezes pode representar um retumbante engano, haja vista nosso co-irmão Vice da Gama). Mas experimente perguntar a um cruzeirense o que ele acha de Welington Paulista no comando de ataque e do mega star Roger reivindicando uma vaga na equipe titular, criando um racha no grupo.

O fato é que o Flamengo tem tudo para fazer parte da plêiade dos bambambans favoritos a ganhar os principais títulos nacionais em 2011. Com exceção feita à lateral-esquerda e ao comando de ataque, talvez não fiquemos devendo muita coisa aos demais clubes supracitados. Caso não venham novidades no segundo semestre, sugiro a escalação de Egídio e Wanderley, assim que este estiver recuperado. São limitados? Sim, mas motivados e confiantes podem fazer o feijão com arroz básico que precisamos para jantar nossos adversários caseiros. Não se esqueçam que na equipe campeã brasileira de 92, exceção feita a Júnior e Zinho, nosso escrete tinha nomes que nunca mais conseguiram ganhar nada em nenhuma outra agremiação, como Charles Guerreiro, Fabinho, Piá, Uidemar e Gaúcho. Isso sem citar Paulo Nunes e Júnior Baiano, jogadores de notória escassez técnica, mas que conseguiram enganar uns e outros pelo Brasil a fora.

Para o jogo de domingo, não há muito o que inventar. Tenho muito medo das criações rocambolescas do professor doutor Vanderlei Luxemburgo, que improvisa Angelim e Renato Abreu na lateral-esquerda, Ronaldinho Gaúcho como centroavante e a incógnita Bottinelli na armação, como fez no coletivo da última quinta-feira. Além de torcer para que nosso rei macedônico Felipe se recupere e mais uma vez envergue com nobreza e determinação o Manto Sagrado número 1, façamos o simples e escalemos os caras que vêm jogando e ganhando, ainda que sem grandes exibições circenses ou carnavalescas: "Não temos nada que dar espetáculo. Temos que ganhar os jogos", disse com singular sabedoria Thiago "Regenerado" Neves. Espero que nosso competente treinador não se esqueça que, na grande maioria das vezes, o bom e velho rice and beans desce muito melhor do que o enrolado e pretensioso rocambole.

Algumas palavras

Duas perguntas que vou tentar responder rapidamente antes que me perguntem, mas que já estão enchendo o saco:

1 - Despedida de Ronaldo Fofômeno com o Manto Sagrado? Essa foi a pior piada dos últimos tempos! Depois de o cara ter virado casaca do jeito que virou, não há mais nada o que dizer.

Fiquei cansado com tanta pieguice da Globo nos dias que sucederam sua aposentadoria. O cara teve uma grande história no Barcelona e na Seleção Brasileira. Depois do ostracismo, veio treinar na Gávea para se recuperar de mais uma lesão e acabou alimentando o sonho de toda a Nação, inclusive deste que vos escreve. Dizia-se rubro-negro e chegou macular a imagem do clube ao ser flagrado em atos lascivos com profissionais do (mesmo) sexo, trajando o Manto. Até que um dia, resolve anunciar que vai jogar nos Curíntia !!!

À época, defendeu-se dizendo que, depois de tanto tempo treinando, não recebeu nenhuma proposta – ou projeto, como gosta de dizer a turma muderninha do marketing futebolísco – do Flamengo. Porra, mas se ele queria tanto assim envergar a camisa 9 do clube que se dizia torcedor aficcionado, por que não pediu uns dias aos gambás e foi conversar com a diretoria rubro-negra? Podem chamar de romantismo, mas eu diria que trata-se da velha história: não é ilegal, mas é imoral. Se o Gordo ficou treinando, usando as instalações e o quadro de preparadores físicos, médicos e o escambau na Gávea, tinha como dever ético dar uma satisfação a esses profissionais. Sem contar à Nação, ainda iludida por devaneios fenomenais. Se, após conversar e não de não receber proposta alguma, muito bem, ele que seguisse seu rumo.

Mas agora não há nada a lamentar. O campeonato de 2009 foi a prova de que a então diretoria acertou em cheio. Adriano chegou e fez a alegria da Nação com seus 19 gols e o título de campeão brasileiro. Já Ronaldo e o Corinthians provaram que não passaram de um excelente projeto... de marketing.

2 - Adriano na Gávea em junho? A cada seis meses é a mesma historinha, quando não, a cada vinda do Imperador ao Rio.

Não consigo entender o que se passa na cabeça desse cara. Ele não disse que estava indo para o Roma, pois tinha uma dívida com os italianos (como se Internazionale e Roma fossem uma coisa só)? Menos de um ano depois, sem jogar praticamente nenhuma partida e sem fazer nenhum (eu disse nenhum) gol pelo seu novo velho clube, ele acha que acertou a tal dívida e quer voltar???

Adriano está pensando que vai ter vida fácil no Flamengo, mas (pelo menos) parece que Patrícia Amorim e Luxemburgo não estão dispostos a aceitar novamente os privilégios que o Imperador da Vila Cruzeiro tinha nos tempos de Andrade e Marcos Braz. Sim, porque, de acordo com o recente caso do bafômetro, o atacante parece que não mudou e nem parece muito a fim de se sacrificar pra limpar a sua barra. E a foto no aeroporto antes do embarque para a Itália, em que aparece com o rosto inchado, visivelmente acima do peso?

A cada dia acredito mais na hipótese, que ouvi na época. Gilmar Rinaldi teria pedido a Patrícia Amorim que liberasse o jogador antes do escândalo seguinte: a foto ao lado de traficantes do Comando Vermelho e os objetos decorativos que aludiam a armas de grosso calibre. A “transferência” não teria passado, isto sim, de uma fuga da justiça e dos holofotes da imprensa, até a poeira baixar

O problema é que a torcida já começa a cantar que “Adriano vai voltar”... e isso faz com que ele sinta que realmente pode tudo. O Imperador foi importante na conquista do brasileiro de 2009? Foi. Mas, como disse com propriedade Nosso Senhor Zico, foi um título que fez mal ao clube, por mais paradoxal que isso possa ser. Além do mais, ao contrário do que diz a maioria dos jogadores que já jogaram bola e depois caíram no ostracismo, não tem essa de que “não preciso provar mais nada a ninguém”.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Juvenal, o sofredor

Estive fora de casa na última quarta e não consegui assistir aos jogos da rodada. Por isso, hoje, logo pela manhã, liguei para o meu amigo Juvenal, botafoguense, sofredor, otimista e homem incuravelmente apegado ao passado de seu clube. Confira:
 
Eu: Fala, meu camarada. Tudo certo?
 
Juvenal: Beleza cara, e você?

Eu: Tô ótimo. Só que ontem não tava em casa e não consegui saber os resultados da rodada. Como foi o jogo do Botafogo?

Juvenal: Você tá me sacaneando...

Eu: É sério, cara, não pude ver os jogos. Me fala, vai.

Juvenal: Perdeu.

Eu: Mentira! De quanto?

Juvenal: 1 a 0.

Eu: Po, então foi apertado. Mas jogou contra quem?

Juvenal: River.

Eu: River Plate?

Juvenal: É.

Eu: Po, um time de tradição. Foi lá ou aqui?

Juvenal: Lá.

Eu: É o Monumental de Nuñez é um caldeirão. Muito difícil de jogar lá.

Juvenal: Não. O jogo foi em Sergipe.

Eu: Ué, mas por quê?

Juvenal: Porque o River é de lá.

Eu: Peraí, não to entendendo mais nada. O River não é aquele time com a faixa vermelha no peito?

Juvenal: É.

Eu: Então.

Juvenal: Acontece que tem um time com esse nome em Sergipe, que disputa a Série D do Brasileirão.

Eu: Sério, cara? Poxa, e o Botafogo perdeu de um time da Série D?

Juvenal: Pois é. 

Eu: Mas o que houve?

Juvenal: Po, o Joel é uma bosta de técnico, retranqueiro do cacete!

Eu: Mas o time deles não é bom não?

Juvenal: Que nada! 

Eu: Mas peraí, me explica uma coisa que eu não to entendendo. Contra o Flamengo, vocês disseram que o juiz roubou vocês. Agora, que a culpa foi do Joel. Será que não é o Botafogo que tem um time pior ou tá jogando pior do que os outros, não?

Juvenal: Que nada! A estrela solitária tem uma enorme tradição! Somos o time que teve mais jogadores na seleção brasileira na Copa do Mundo! Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho...

Eu: Po, mas isso já tem mais de 40 anos, cara...

Juvenal: Não importa! Somos o alvinegro glorioso!

Eu: Sei. Mas hoje em dia, o que vocês ganharam recentemente?

Juvenal: Ganhamos o Brasileiro em... 95... ganhamos o Estadual do ano passado em cima de vocês...

Eu: Bom, o Brasileiro tem 16 anos e o estadual vocês ganharam depois de terem sido três vezes vice, né?

Juvenal: Não interessa!

Eu: Então o que está acontecendo com o Botafogo?

Juvenal: Sabe como é, né? Tem coisas que só acontecem com o Botafogo.

Eu: Sei. Tem coisas que SEMPRE acontecem com o Botafogo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Meus oito anos

Acho uma grande babaquice essa briguinha ridícula sobre o título de 1987. Todo mundo sempre soube que o Flamengo é o legítimo campeão do certame daquele ano. Até a CBF. Só não o reconhecia por divergências e conveniências políticas entre as direções da entidade e do clube. Mas agora ficou tudo esclarecido. Pelo menos assim, os seguidores da torcida arco-íris não poderão mais dizer “hexa, não. A CBF não reconhece”. Um bando de invejosos que agora devem estar com os cotovelos doendo. E quer saber mais? Que se dane essa taça de bolinha e os bambis, pois reconhecimento maior é ouvir o grito da Nação: somos hexacampeões!

Não vou me estender muito nas chatíssimas explicações jurídicas que comprovam por quê o Flamengo é o campeão daquele ano. Vou sim, reverenciar os heróis daquele título, inesquecível para este humilde escriba. Tinha oito anos de idade em 1987 e posso dizer, “que tanta saudade tenho / da aurora de minha vida / de minha infância querida”, como diria Casimiro de Abreu, no poema "Meus oito anos". Lembro-me como se fosse ontem da maioria das partidas. Minha primeira recordação futebolística data do ano anterior e não foi das melhores. Na disputa de pênaltis da partida válida pelas quartas-de-final da Copa do Mundo do México contra a França, o zagueiro Júlio Cesar e o meia Sócrates desperdiçaram as cobranças de penalidades e decretaram a eliminação do escrete canarinho. Lembro de ter despido a camisa amarela, jogado ao chão e jurado com todas as minhas forças: "nunca mais assistirei a uma partida de futebol novamente!"

Um ano depois, preocupado com o destino do rebento, meu pai, nutrido de todo o amor que se pode dar a um filho, levou-me ao vestiário do Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea, para conhecer Ele, Nosso Senhor Zico, que autografou o Manto Sagrado do pequeno torcedor. Foi o momento da conversão ou, como querem os seguidores de outras religiões, da Iluminação. Guardo até hoje o Santo Sudário em local seguro e protegido das intempéries do clima e das vicissitudes do tempo. Se talvez não tenha nascido ali minha paixão - já que, como todo rubro-negro, desde o útero, possuía o DNA encarnado e negro – o sentimento cresceu de forma incomensurável. E foi justamente naquele ano que chegaríamos ao tetracampeonato nacional.

Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Renato, Bebeto e Zinho formavam o melhor esquadrão que já vi vestir o Manto Sagrado, comandados pelo cândido, porém astuto e perspicaz Carlinhos do banco de reservas. A equipe era, sem nenhuma sombra de dúvida, a melhor do país e, se tivesse disputado a Libertadores do ano seguinte, certamente chegaria ao bi continental.

Zico era o capitão e ídolo máximo. Estava na arquibancada do Maracanã quando o Galinho marcou por três vezes contra o Santa Cruz. O último gol, uma pintura numa cobrança de falta que desafiaria até os conceitos físicos de Newton e Einstein. Se o Camisa 10 era o cérebro, Renato era a alma. Na épica semifinal contra o Atlético no Mineirão, vencíamos por 2 a 0 quando o time da casa empatou e pressionava para virar o marcador. A esta altura, Zico – que marcara o primeiro gol numa linda cabeçada após cruzamento de Bebeto - já havia deixado o gramado reclamando da arbitragem que, visivelmente beneficiava os donos da casa. Bebeto, autor do segundo, desperdiçava chances incríveis na frente de João Leite e deixava a Nação em desespero. Foi quando, aos 30 e tantos minutos do segundo tempo, Andrade recuperou uma bola no meio-campo, que caiu nos pés do ponta-direita. Renato,  meiões arriados e canelas à mostra, teve fôlego para arrancar do círculo central, deixar o beque para trás, invadir a área, driblar o goleiro, empurrar para o gol e garantir a classificação do time para a final contra o Internacional.

Nossa defesa contava com o saudoso Zé Carlos, que por tantas vezes salvou o time; Jorginho, já um esboço do vistoso lateral que venceria a Copa do Mundo sete anos mais tarde; os experientes e talentosos Leandro – deslocado para zaga central no final da carreira – e Edinho; além do jovem e promissor Leonardo, igualmente tetracampeão com o Brasil em 94. O meio-campo tinha a categoria de Andrade, autor da assistência sob medida para Bebeto marcar o gol do título contra o Inter; o pulmão Aílton, que além de marcar e correr o campo todo para que Zico e os demais veteranos pudessem brilhar, também subia ao ataque e, por vezes, deixava seus gols. O ataque, além de Renato, tinha Bebeto, que passou em branco na fase classificatória do certame, mas foi decisivo e fez quatro gols nos quatro últimos jogos do campeonato: Fla 1 x 0 Atl-MG, no Maracanã; Fla 3 x 2 Atl-MG (autor do segundo gol), no Mineirão; Fla 1 x 1 Inter, no Beira Rio; e Fla 1 x 0 Inter, no Maracanã. Para completar, na ponta-esquerda, Zinho, à época nem sombra da “enceradeira” que Parreira inventaria em 94. Ao contrário, o jovem Crizam entortava os laterais com dribles desconcertantes e cruzamentos precisos.

A criança que aprendeu a ver futebol com este esquadrão mágico acostumou-se mal. Depois, vieram anos difíceis, com os vices estaduais nos dois anos seguintes, as transferências de Bebeto para o Vasco e de Renato para o Botafogo, além da aposentadoria de Zico, este sim, o duro golpe de realidade nos sonhos do menino (na verdade, um luto que duraria até a sequência de títulos: Copa do Brasil, em 90; Estadual, em 91; e o Brasileiro, em 92, com o time comandado pelo maestro Júnior). Mas a referência de um futebol que aliava habilidade, técnica, garra e aplicação tática jamais sairá da lembrança.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pranto inconsolável

Chegar a uma final é assim: o momento em que se separam os homens dos meninos. Para isso, é preciso deixar de lado as lamúrias, lamentações e chororôs. E não tem jeito, nesses quesitos o Clube de Regatas do Flamengo tem tradição centenária de triunfos. Por isso é imbatível contra rivais que tremem só de vislumbrar ao longe o Manto Sagrado encarnado e negro, as bandeiras desfraldadas na arquibancada e o canto ensurdecedor da Magnética. Somos milhões contra onze do outro lado. Aí também é covardia. Não há como controlar as pernas trêmulas, os ombros curvados, o olhar baixo, as lágrimas rolando face abaixo e o soluço desesperadamente incessante.

Durante os 90 minutos, Angel´in mostrou por que é o nosso anjo da guarda para os momentos difíceis. Como no certame nacional de 2009, o gladiador alado desceu dos céus para nos dar a vantagem no marcador. Criticado e desprezado por alguns sabichões do ludopédio, nosso zagueiro enviado do firmamento rubro-negro usou sua auréola divina para desviar o balão para o fundo do entrelaçado de filó adversário e fazer a alegria da Nação mais querida do mundo.

E no momento decisivo da decisão fatal das penalidades, Felipe, do latim, “aquele que quer amar com afeto e amizade”, destilou os mais nobres sentimentos ao Manto Sagrado quando vaticinou “caprichem que eu vou pegar dois”. Ademais, nosso arqueiro de sangue azul, de mesma alcunha do rei macedônio, pai de Alexandre “O Grande”, provou ter a frieza e a determinação de um supremo comandante ao nos levar à batalha final.

Uns e outros auto-denominados loucos, não o foram tanto assim a ponto de se arriscar a cobrar o tiro penal que poderia pôr tudo a perder. Preferiu ficar para a última cobrança quando tudo poderia estar perdido, como comprovadamente o foi. Nada mais compreensível diante do Esquadrão Rubro-Negro onde estavam perfilados um anjo e um rei.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Talento acima de tudo

Confesso que quando o narrador disse que o Murici esperava contar com a grana da renda do jogo da última quarta para pagar a folha salarial de R$ 50 mil dos jogadores e reformar suas instalações, quase torci para o jogo terminar só 1 a 0. Mas a magnânima supremacia rubro-negra se impôs e foi impossível deixar de ser contagiado pelos belos gols de Ronaldinho Gaúcho, Negueba e pelo petardo desferido por Renato “Patada Atômica” Abreu contra a meta muriciana. 

Disseram que o Flamengo não jogou bem no primeiro tempo. Verdade que os caras jogaram como nunca e perderam como sempre, diante da audiência continental que os assistia. Valeu para valorizar os jovens atletas alagoanos que, se disputassem o Campeonato Carioca, certamente ficariam à frente de uma certa agremiação desportiva braso-lusitana que insiste em se considerar um clube de futebol profissional.

O jogo? Bom, vimos mais uma vez que Vanderlei ainda procura o melhor posicionamento para os jogadores em campo. Ronaldinho jogou de centroavante desta vez e até marcou um golaço de cabeça: olhos abertos, cabeçada firme para o chão, indefensável para o arqueiro muriciense. Mas nada disso teria acontecido não fosse o cruzamento, ou melhor, passe perfeito do monstro Leo Moura, direto da linha de fundo para a testa do nosso camisa 10. 

No segundo gol, graças a Nosso Senhor Zico, o Gaúcho deixou a fominhagem de lado e permitiu que Renato “Coice de Mangalarga” Abreu cobrasse a falta, pegando de jeito na bola e ampliasse o placar. O gramado molhado e o auxílio luxuoso do porteiro das Alagoas contribuíram para o 2 a 0. Renato não estava jogando nada, como vem acontecendo desde o último certame nacional. Tinha como regularidade os erros sucessivos de passe que quase resultaram em gol adversário, quando o meia jogou, de forma pueril, a pelota na fogueira para Egídio, que foi obrigado a cometer falta perigosa na risca da grande área. Depois do lance, o camisa 11 ainda se achou no direito de pagar geral para o empenhado lateral-esquerdo, que, desta vez, não teve culpa nenhuma. Apesar da noite atrapalhada, Renato “Anderson Silva” Abreu, em única falta cobrada nos últimos quatro jogos, acertou o torpedo para regozijo geral da Nação.

Com a galinha já morta, o Mengão tocava a bola pensando no mal que fará à cachorrada no próximo domingo. Mas, como quem não quer nada, vira e mexe arriscava um ou outro contra-ataque só para não perder o hábito. Eis que, após belo passe do Gaúcho, Thiago “Regenerado” Neves deu passe milimétrico e açucarado para Negueba dominar, tirar o beque da jogada e estufar o entrelaçado de filó. Ainda é cedo para analisar as atuações do garoto. Prefiro evitar comentários precipitados como ando ouvindo e lendo por aí a respeito do campeão nacional sub-20. Mas já se pode perceber que Negueba tem personalidade e categoria. Se vai “dar muitas alegrias à torcida”, como insistem alguns, só o tempo dirá.

Ao analisar os três gols, podemos chegar a uma conclusão: quando o jogo está difícil, o adversário marcando em cima, os passes não acontecem e o entrosamento falta, basta entregar a bola para quem decide. Leo Moura, Ronaldinho e Thiago Neves são diferenciados e podem resolver o jogo em um único toque na bola. Renato “Tijolada” Abreu também não pode ser descartado pelos chutes precisos e pela raça dentro de campo, apesar de seu destempero e dispersão em lances elementares. Portanto, mesmo que alguns jogadores ainda estejam engatinhando no quesito condicionamento físico, que ainda falte ao time entrosamento e o professor Luxa ainda esteja arquitetando o melhor esquema tático, é, e sempre será, o talento que vai resolver a parada. Esperamos que assim seja no domingo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Confusão tática

Acabei de ler a coluna do mestre José Ilan, no bom Globoesporte.com. No texto, o valoroso colega alerta para o risco do fim da lua de mel da torcida com Ronaldinho Gaúcho, caso o craque não melhore o nível de suas atuações.

Ilan está certíssimo: o risco existe. Mas penso um pouco diferente. Acho que Ronaldinho vem para ser a estrela, mas não o principal jogador da equipe. Nosso camisa 10, como todos sabemos, já passou do auge da carreira há algum tempo. Veio para a Gávea (assim como Ronaldo para os Curíntia) como garoto-propaganda, no que já está apresentando resultados, haja vista o incrível número de mantos sagrados vendidos com seu nome às costas. Em campo, espero alguns lances de efeito, meia dúzia de assistências e um gol aqui, outro acolá em jogadas de bola parada.

Mas o Gaúcho não pode jogar sozinho. Para isso, é preciso que tenha jogadores de bom nível técnico e em boas condições físicas de carregar o piano para ele. No primeiro caso, vejo Leo Moura, o melhor lateral direito do Brasil, e Thiago “Regenerado” Neves. Sobre este, já podemos perceber que, se ainda não está na forma física ideal e o entrosamento com os companheiros ainda esteja longe, pelo menos mostra empenho, técnica e habilidade, como no belíssimo gol marcado contra o Vice da Gama. No segundo caso, percebo Willians, o gigante da meia cancha. O restante do time é bastante limitado. Precisamos de uma zaga mais experiente, um lateral-esquerdo de verdade, e, pelo menos, um centroavante mais regular do que Deivid, que ainda claudica.

Mas, óbvia e principalmente, professor Luxa precisa definir o que quer de seus comandados. Acredito que muito da insegurança dos jogadores dentro de campo tem origem na indecisão do próprio comandante. No jogo contra os empenhados futebolistas resendinos, Ronaldinho Gaúcho foi deslocado para a meia-direita, posição em que, salvo engano, jamais atuou. O esquema tático da equipe também não ajuda. É 4-4-2, 4-3-3, 4-2-3-1, 4-5-1 ou 3-4-3? A cada jogo o posicionamento dos jogadores dentro de campo muda e isso obviamente interfere no rendimento da equipe.

Mais do que esperar o brilho intenso de nosso camisa 10, minha preocupação maior é que o professor defina, de uma vez por todas, um desenho tático para o time que explore ao máximo o potencial de cada jogador. Só assim veremos, enfim, luzirem as estrelas da companhia em todo seu esplendor.

Planejamento

O Mengão estréia nesta quarta na Copa do Brasil contra o desconhecido Murici de Alagoas. Mas ninguém esconde que as atenções estão mesmo voltadas para a semifinal contra o Botafogo no sábado.

Não sei não se o professor Luxa acertou ao levar o time titular para a terra de Collor e Renan. Por um lado, tá certo, ele dá um pouco mais de entrosamento que o time, inegavelmente, precisa. Por outro, coloca em risco a integridade de atletas importantes como Gaúcho e Thiago Neves, expostos a uma entrada mais viril de um cabrunco cabra da peste. Que depois de uma improvável eliminação precoce da Taça GB não me venham falar na já manjada desculpa do “desgaste físico”.

O mínimo que se espera de um departamento de futebol profissional de um clube de primeira divisão, com diretores e comissão técnica muito bem remunerados, é planejamento. Então tratem de ganhar os dois próximos jogos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O melhor do Brasil

O destaque da partida do último domingo não poderia ser outro. Nossos jogadores visivelmente se pouparam enquanto os resendistas suavam sangue nas quatro linhas para conseguir a classificação às semifinais. A impressão era que a qualquer momento sairia o gol dos caras: o que, na prática, não representaria nada pra gente, mas nos tiraria a marra de sermos o único 100% da competição. Eis que nosso escrete voltou mais ligado para o segundo tempo. E, aos 31 minutos, Leo Moura executou com perfeição um lançamento para a ponta direita que resultou no tento único da partida.

E foi só. Um único lance foi suficiente para que esse jogador mostrasse a importância que tem para nosso time. Há seis temporadas no clube, Leo Moura nem sempre foi o mais celebrado do plantel, que já contou com Pet, Adriano, Vagner Love e, agora, Ronaldinho. Mas nosso lateral foi peça fundamental nas conquistas do último tri-estadual, Copa do Brasil e Brasileiro. Muitas vezes suas jogadas podem parecer previsíveis e seu desempenho defensivo questionável. Mas a segurança com que executa passes, lançamentos e cruzamentos é imprescindível para o poder de fogo da equipe e comprova o domínio que tem da posição e por que é o melhor lateral-direito do Brasil há, pelo menos, três anos.

Felizmente continuou no clube em 2011 e não cedeu às tentações de ir jogar em terras gayuchas. Leo Moura tem condição física invejável. Aos 32 anos, não faz feio frente à garotada sub-20 que vem chegando. Entre eles está Galhardo, bela promessa que acabou de conquistar o Sul-Americano da categoria e agora servirá de sombra ao nosso ex-capitão. Mas, em breve, quando o vigor físico não for mais o mesmo, vejo com bons olhos uma mudança para o meio-campo, onde, certamente, executará com a mesma dedicação e talento o que vem fazendo durante tantos anos na lateral.

Ainda falta a Leo Moura a conquista de um título como a Libertadores e um Mundial para que faça parte da plêiade de Zico, Adílio, Júnior, Leandro, Andrade e Cia. Mas, certamente, será lembrado como um dos principais laterais-direitos que já vestiram o Manto Sagrado em todos os tempos.

Pode vir a cachorrada

Vamos ao que interessa. Vencemos por 1 a 0, estamos classificados para as semifinais da Taça GB e somos a única equipe do certame estadual com 100% de aproveitamento. Os números não mentem jamais: somos o melhor time do campeonato para a fria senhora Estatística. Que se dane que enfrentamos o ridículo Vice da Gama (que covardemente chutou o cadáver americano, outrora denominado "diabo", mas que hoje não passa de um ex-clube) e mais meia dúzia de equipes semi-profissionais. O manto sagrado se impôs como lhe é peculiar.

No último domingo, vencemos o bem armado plantel resendino debaixo de um inclemente calor senegalês e, como se não fosse pouco, com Fernando e Jean na equipe titular. O jogo foi muito parecido com aquele contra o Nova Iguaçu, na estreia do Gaúcho que, mais uma vez, errou muito. O sistema ofensivo ainda precisa de uma bela arrumação. Nosso camisa 10, assim como Thiago “Regenerado” Neves e Deivid Sonolento parecem meio sem saber o que fazer em campo, onde devem atuar e para onde correr.

Talvez nem mesmo o professor Luxa saiba ainda como armar a equipe, haja vista suas respostas sempre confusas e, por vezes, mal-criadas nas entrevistas coletivas após as partidas. Parece inseguro e, quem sabe, por isso descambe para a arrogância e para a agressividade, duas de suas conhecidas características já há algum tempo.

Não fosse o primoroso lançamento do incansável Leo Moura, não sei não. Nosso ex-capitão encontrou Fierro que fez a única jogada relevante desde a sua chegada ao Flamengo, há não sei quantos anos. O sempre cansado Deivid conseguiu ganhar na corrida do beque resendense, tocar para o gol e garantir a irretocável campanha... pelo menos para os insensíveis matemáticos.

Espero que o talento e a raça continuem fazendo a diferença para o nosso lado. A maltratada e sofredora matilha vira-latas alvinegra que, desde os tempos de Nosso Senhor Zico, se acostumou a apanhar que nem cachorro vadio, está com um time certinho e conta com Joel Sócana no banco de reservas. Com o auxílio luxuoso do trio de arbitragem, venceu as meninas do laranjal na penúltima rodada e agora todo o cuidado é pouco para que não se repita o king kong da semifinal do ano passado, quando ainda contávamos com o famigerado Império do Amor.

Se no conjunto estamos atrás, esperamos contar com a segurança de Felipe, a maestria de Leo Moura, a precisão nos desarmes de Willians, a vontade de Thiago Neves e a habilidade (mesmo que ainda tímida) do Gaúcho. Mas, se mesmo assim, o jogo estiver duro, equilibrado em suas ações e o placar adverso, restará aos nossos briosos gladiadores escutar o canto da torcida, olhar para as cores do Manto Sagrado e suar sangue dentro de campo para, mais uma vez, fazer valer a superioridade do escudo encarnado e negro que supera mesmo o maior dos oponentes.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Bem-nascidos

Quarta-feira de descanso para os bravos gladiadores rubro-negros (ia falar guerreiros, mas nos últimos tempos, a palavra virou sinônimo de viado) que disputam o desenxabido certame estadual. Além de torcer pelo bravo escrete do Argentino Juniors, pela sua enorme contribuição ao futebol mundial e à máfia napolitana, vestirei hoje as camisas dos bem-nascidos Esporte Clube Diego Maurício e Renato Augusto Futebol Clube. Meu palpite é que cada um marque pelo menos um gol cada nas partidas das seleções brasileiras na tarde e noite de hoje.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O gigante da meia cancha

Fiz questão de abrir um post especial dedicado ao melhor jogador do time em campo na tarde do último domingo em Macaé. Willians foi um monstro! Além de ter ganhado TODAS as disputas de bola, foi dele toda a jogada do terceiro gol. Guerreiro, bem ao seu estilo, ganhou a jogada pela esquerda com disposição, foi à linha de fundo como um autêntico ponta e cruzou com rara felicidade para o gol do menino Negueba. A ele devemos grande percentual dos três pontos conquistados.

Willians deve irritar os adversários, tamanha sua eficiência no quesito desarme. Não chega a ser um craque. Longe disso. Falta treinar muito o fundamento passe, o que muitas vezes compromete seu desempenho nos jogos. Mas o saldo é positivo se considerarmos a importância que ele tem para o sistema defensivo. E com os zagueiros que temos, o cara é indispensável, inegociável, invendável e imprestável, como diria o poeta Vicente Mateus. Além disso, tem vocação ofensiva. Realiza importante trabalho pela direita junto com Leo Moura, é ousado nos dribles pelos lados do campo (apesar de um percentual de acertos ainda regular) e tem um chute forte (não obstante as oportunidades sejam cada vez mais raras, devido à obrigação defensiva imposta a ele pelo nosso treinador).

Willians chegou à Gávea em 2009 sem muito alarde. Veio do insosso Santo André, mas, logo no primeiro coletivo, impressionou pela disposição. Ganhou a vaga de titular em um meio-campo com Petkovic e Kleberson e não saiu mais. Foi o jogador mais regular do tri-estadual e do hexacampeonato. Durante o Estadual de 2010, teve a única mancha no currículo vestindo o Manto Sagrado: a bitoca no rosto de Felipe Coutinho, do bacalhau, após pênalti cometido. Mas isso são águas passadas. Assim como todo o time, foi mal no Brasileirão do ano passado e quase foi negociado. Graças a Zico (Deus), a proposta do Santos não foi suficiente para tirá-lo da Gávea e suspeito de que, este ano, o cara vai arrebentar de novo.

100% só o Mengão

Flamengo 3 x 2 Boavista. Em resumo, a vitória foi suada. Isso todo mundo viu. Depois de fazer 2 a 0, o time relaxou e cedeu o empate. No fim, mais uma vez valeu a estrela de Luxa que apostou no jovem Negueba para garantir os três pontos, a classificação antecipada para as semifinais e, o melhor de tudo, a marra de sermos o único time com 100% de aproveitamento no certame. Portanto, nesta segunda, podem tirar onda com o botafoguense da portaria, o vascaíno da padaria e o tricolor da diretoria.

Valeu pelo gol de Ronaldinho, que parecia esperado até pelos boavisteiros. A alegria na comemoração mostra o quanto o craque aguardava por esse momento. De pênalti, sim, e daí? Mas o dentuço mostrou personalidade e, acima de tudo, seriedade ao colocar a bola e deslocar o goleiro (ao contrário do que fez um certo louco no jogo das 19h30). No segundo gol, o bom e velho Leo Moura mais uma vez mostrou por que é o melhor lateral-direito do Brasil; e Deivid, oportunismo e senso de colocação na área. Pelo visto, ganhou sobrevida no time titular.

Mas, quando tudo parecia decidido e o jogo caminhava para um monótono final, eis que a nossa generosa defesa mostrou por que ainda é o setor com maior potencial para proporcionar fortes emoções à Nação. No primeiro gol, vacilo geral em mais uma jogada de bola parada ao deixar o centroavante saquaremense sozinho na pequena área para finalizar. No segundo, um mole indesculpável de Wellington, o zagueiro-zagueiro favorito do Luxa. A bola sobrou para o mesmo atacante que marcara o primeiro, que chutou fraco, mas o desvio do igualmente sofrível Jean enganou o goleirão Felipe. Àquela altura, o Flamengo já jogava com três beques e mesmo assim conseguiu tomar o gol. Prova de que, definitivamente, quantidade e qualidade são coisas completamente diferentes.

Foi certamente o jogo em que o time viu sua vitória mais ameaçada. Menos por causa da limitada esquadra esmeraldina de Saquá. Mais pelo fato de ainda não termos encontramos um padrão de jogo. Natural, considerando tantas mudanças e tão pouco tempo de treinamento. A transição da defesa para o ataque está muitíssimo lenta. Muito em função de Ronaldinho prender a bola em demasia e ainda errar muitos passes, devido à falta de ritmo de jogo. Thiago Neves foi outro que não esteve bem na partida. Fez bom lançamento para Deivid na jogada do primeiro gol, mas caiu muito de produção no segundo tempo e errou quase tudo o que tentou, apesar da notável vontade e movimentação.

Já nosso valoroso centroavante até que se empenhou. Participou da jogada do primeiro gol e marcou o segundo. Correu mais e se posicionou mais fixo na área, levando mais perigo ao gol do ex-Barreira, fazendo o mínimo que a torcida espera dele. Por causa das más atuações anteriores, chegou a ser injustamente vaiado após perder um lance dentro da área. Foi substituído por Negueba que entrou bem e garantiu a nossa vitória.

Ao lado de Wellington, Fernando é outro que tem pouco a ver com a camisa rubro-negra. Não entendo por que Luxa pediu a renovação de seu contrato e dispensou Toró, que, pelo menos, era querido pela galera. O pior é que tudo indica que o cara será titular no próximo jogo, pois Maldonado está suspenso. A menos que pinte aí uma surpresa, como o garoto Muralha. Em um jogo contra o fraco Resende, em que já estaremos classificados, talvez seja uma boa alternativa.

Tudo isso para dizer que, se até temos um bom time – apesar das deficiências na defesa e no comando do ataque – ainda faltam jogadores para montarmos um bom elenco. Nosso banco não é lá essas coisas, o que pode ser decisivo em uma competição de nível técnico mais elevado. Mas até o Brasileirão e as fases decisivas da Copa do Brasil começarem, teremos tempo para mudar isso aí.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não o deixem partir


Enquanto todos falam em Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e nos tão propalados “meninos da base”, poucos se lembram de uma jóia rara que pode estar deixando a Gávea. Diego Maurício está destruindo no Sul-Americano Sub-20 ao lado de Neymar e Cia. Acho que o garoto cairia como uma luva ao lado de Ronalinho Gaúcho e Thiago Neves.

Não sei em que nível está a tal negociação com o Porto (ou seria Benfica? sei lá, bacalhau é tudo igual) e quanto os portugas estão dispostos a pagar pelo nosso Drogbinha, mas espero com todas as minhas forças que Patrícia, Velloso e Luxa não deixem o Flamengo perder esse jogador.

Ao contrário de seu companheiro de seleção, Diego Maurício não parece se deslumbrar com a ascensão meteórica. Em todas as entrevistas, parece ser um garoto centrado, de valores sólidos e de forte ligação com a família. Tem excelente porte físico, o que faz com que leve grande vantagem contra os zagueiros adversários, além de um chute forte e preciso.

É um atacante de lado de campo, por isso talvez tome a vaga de Vander ou Bottinelli e desfaça o esquema 4-2-3-1 testado na última quarta-feira. Mas suspeito que suas características se encaixariam muito bem com as do Gaúcho, dando muitas alegrias à galera do Mengão.

Pensando na frente

A menos que o anticristo desça à Terra e lance todo o seu mal à humanidade, tudo indica que ficaremos mesmo com o primeiro lugar no Grupo A. Duas derrotas para Boavista e Resende são tão improváveis quanto um confronto com o exército de Satanás. Pelo menos antes de 2012, segundo o calendário Maia.

As duas próximas rodadas servirão para aprimorar o entrosamento do meio-campo e testar uma solução para a lateral-esquerda e o comando de ataque. Se para o segundo semestre, talvez tenhamos novidades, para o Carioca, algumas soluções ainda precisam ser encontradas dentro do próprio elenco, devido ao ganho de qualidade técnica do certame em relação aos anos anteriores.

Na lateral, Renato Abreu mostrou que esta não é muito a sua praia. Talvez Egídio, mesmo limitado, mas ganhando confiança, possa fazer o feijão-com-arroz impedindo o avanço adversário naquele setor e, quando der, apoiar o ataque. Quanto ao centroavante, restará saber até quando Luxa vai insistir com o improdutivo Deivid e resistir aos apelos da torcida pela escalação do bólide Wanderley.

Para a segunda vaga do grupo, aposto no bom time do Nova Iguaçu, que enfrenta os mesmos Resende e Boavista nas últimas rodadas. Isto deve facilitar a vida do pó-de-arroz, que deve mesmo terminar em primeiro do lado de lá. Pelo menos essa é a previsão mais lógica, pois a cachorrada está se desfazendo em faniquitos. Isso é que dá: ganha um carioquinha e já pensa que é grande...

Então, se tudo correr como todos esperamos, enfrentaremos as meninas do laranjal na final da Taça GB em um jogo que pode entrar para a história do Engenhão. Só nos resta aguardar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O novo Nunes?

Valeu pelos três pontos e pela disposição do Wanderley. O jogo não foi mais nem menos do que o esperado. E o Gaúcho? Não foi mal. Deu alguns bons passes errou outros tantos. Enfeitou menos do que de hábito e até que jogou com objetividade. Também não dá pra dizer que o craque não se esforçou. Voltou para buscar o jogo e deixou por duas vezes os companheiros em posição de finalização. Pena que Deivid e Renato Abreu não pensam tão rápido como ele e desperdiçaram as oportunidades. Obviamente não foi o jogador dos tempos do Barcelona. Mas nem devemos esperar por isso. Pelo menos não tão cedo. Enfim, uma nota 7 está de bom tamanho para o dentuço.

O problema, claro, foi o entrosamento. Parecia que os dois capitães tinham batido zerinhoum antes do jogo e colocaram onze para cada lado, tamanho o desencontro de passes no time. Vander, Ronaldinho, Thiago Neves e Renato Abreu pareciam meio confusos sobre o que fazer e que posições ocupar dentro das quatro linhas. O desentrosamento sobrecarregou Maldonado e Willians – que mostrou a invejável garra de sempre – e o Flamengo perdeu o meio de campo para o Nova Iguaçu na primeira etapa. Tivemos sorte de não descer para o vestiário perdendo de um a zero após o atacante da equipe laranja chutar para fora cara a cara com Felipe.

No intervalo o pau deve ter quebrado no vestiário, pois os caras voltaram mais ligados. Apesar de ainda desorganizado, os jogadores estavam correndo mais e marcando mais em cima, o que impediu que o time da Baixada crescesse na partida. Mas o que mudou mesmo o cenário foi a substituição Deivid por Wanderley. Juro que eu torcia para o primeiro dar certo no Flamengo. Era um belo centroavante nos tempos de Corinthians e Cruzeiro. Vibrei com a sua contratação, mas agora acho que nem o Luxemburgo tem mais argumentos para mantê-lo no time.

Além de Wanderley estar decidindo os jogos, o cara entra com muita, muita, muita (mesmo) disposição e comemora muito, muito, muito (mesmo) os gols, criando uma identificação imediata com a galera. De mero desconhecido e esnobado, o centroavante agora já é unanimidade na arquibancada. Mais uma vez marcou um gol de raro oportunismo, senso de colocação na área, força e velocidade para se antecipar ao zagueiro e tocar antes que o goleiro chegasse na bola. E mais: com a confiança que vem ganhando, tem arriscado chutes, dribles e passes. A conseqüência é que uma hora acaba entrando. Será o novo Nunes?

Campeão absoluto de audiência


O bom jornalista André Rizek podia esquecer um pouquinho Flamengo, né não? O coleguinha, ao que tudo indica, curintiano gosta de uma polêmica.  E nada melhor pra aumentar o número de posts e tweets do que falar mal do Maior do Mundo.

Como se já não bastasse dizer que “o Zico não jogou nada na Copa de 82” e que “o Brasil não era o melhor time” daquele torneio, como fez durante a cobertura da Copa da África, o nobre e sensacional apresentador fez mais uma das suas hoje. Durante o programa “Redação Sportv”, mandou que “os jornais do Rio tratam o Flamengo como se fosse maior do que os seus adversários”, criticando a cobertura da imprensa carioca sobre a estréia do Gaúcho no Mengão. Como se não bastasse, ainda criou o neologismo “flamenguismo”...

Como o esforçado colega deve ter aprendido na faculdade de jornalismo, o dia em que mais se vende jornal é quando o Flamengo é campeão. Não é a imprensa que faz o Flamengo o maior clube do Brasil e do mundo. É a torcida do Flamengo que ajuda os jornais e as emissoras a serem mais ricos através da venda de exemplares em bancas e dos milionários contratos de publicidade firmados. Se o clube de maior torcida joga, qual veículo de comunicação será idiota a ponto de não levar informação a esta massa apaixonada de 40 milhões de pessoas?????

Pelo visto, Rizek também está aumentando sua audiência às custas do Maior do Mundo. Mas é bom pegar leve e maneirar no sensacionalismo se não quiser virar hippie e ir vender livrinhos de poesia em uma praia distante do nordeste...