sábado, 28 de maio de 2011

Assim é Pet

Estava passando pela porta do cinema e aconteceu uma daquelas coisas que só mesmo a crença em que algo maior rubro-negro olha por nós pode explicar. Entrei ali para fazer hora e comprei uma entrada para Piratas do Caribe 4, na falta de coisa melhor. O filme é 3D, disse-me a bilheteira, por isso, o preço da meia entrada é douze reais, completou cariocamente. Foi quando de repente, não mais que de repente, pude notar uma estranha movimentação. Já começavam a chegar os cinegrafistas das emissoras de televisão, os estagiários explorados dos sites esportivos – sim, eu já fui um deles – e mais meia dúzia de torcedores uniformizados. Perguntei ao cara do som posicionado ao lado de um cartaz do filme o que haveria ali. É a pré-estréia do filme do Pet, respondeu, enquanto ajeitava a fiação.

Como conseguir um convite para uma pré-estréia concorrida como aquela? Tentei ligar para alguns amigos que talvez pudessem me ajudar. Nada. Fiz menção de tirar uma antiga credencial de imprensa da mochila, mas rapidamente me dei conta do quão ridículo e, quiçá, vão poderia ser aquele ato. Foi quando mais uma vez o Espírito Santo Rubro-Negro pousou em meu ombro e soprou-me alguma coisa ao ouvido. Olhei para uma mesinha no canto onde duas moças bem-trajadas manipulavam alguns papéis. Fui até lá e perguntei como eu poderia assistir à película mais importante dos últimos dez anos para os 40 milhões de torcedores mais felizes do mundo. É só pra convidado, disse polidamente a moçoila, deixando-me frustrado por alguns segundos. Mas se sobrar, a gente vai liberar para o público, completou, ressuscitando as esperanças que alguns átimos antes estavam perdidas. Fiquei ali, rondando e observando a movimentação. Passados alguns minutos mais, voltei a abordar aquela que, a essa altura, já poderia considerar minha melhor amiga. Perguntou meu nome, fez que encontrou na lista de convidados, destacou o ingresso e me entregou, seguido de um piscar de olhos cúmplice. Gol!!!!!!

Para os rubro-negros, o documentário é imperdível. Rememora duas das últimas maiores glórias vividas pela nossa imensa nação, com detalhes épicos e direito a um personagem improvável. Maurinho, o contestado lateral-direito reserva da equipe tricampeã em 2001 era o companheiro de quarto de Pet na concentração. Sonhei que o camisa dez vai decidir o jogo, pressagiou ao gringo. Pensando naquilo, Pet quase não jogou no primeiro tempo, que terminaria empatado em 1 a 1, resultado que daria o título ao bom time do Vasco, que contava com Juninho Paulista, Viola, Ramon, Euller, entre outros, dirigido pelo malandro Joel Santana. Mas e se o 10 que decidir o jogo for o do Vasco, perguntou o craque rubro-negro ao cabeça de bagre. Besteira, falei aquilo sem pensar. Trate de jogar bola, ordenou Maurinho, na melhor atuação de sua vida. E assim foi feito. Pet voltou para o segundo tempo e decidiu. Fez o cruzamento para o segundo tento de Edilson na partida e o gol antológico de falta que até hoje Elton tenta alcançar a cada replay.

Sem tirar nem pôr, Pet é um personagem importante da história recente do Flamengo e merece as devidas homenagens em sua despedida dos gramados. Foi responsável, em grande parte, pelo Estadual de 2001 e pelo Brasileiro de 2009, ao lado de Adriano. Destaque para sua humildade e sinceridade. Sem falsos proselitismos, o sérvio deixa claro seu amor pelo Estrela Vermelha, clube pelo qual torcia na infância e onde iniciou a carreira futebolística, e não se furta em apresentar imagens de jogos pelos rivais Fluminense e Vasco. Quase no final do filme, conversa com Zico, ao lado da estátua do Galinho, no Maracanã, deixando límpida e cristalina sua admiração pelo maior dos maiores. Quantos gols você fez aqui?, pergunta Pet. Trezentos e trinta e três, responde Zico. Então faltam só trezentos para eu chegar lá, resigna-se o sérvio, reverenciando o inalcançável e insuperável ídolo rubro-negro.

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