Os sete mil torcedores que abdicaram do aconchego do lar e da segurança da família certamente não se arrependeram de comparecer ao Estádio Cláudio Moacyr, na chuvosa noite desta quinta-feira, em Macaé. Foi a melhor partida de futebol do ano de 2011 até o décimo dia do mês de março. O Clube de Regatas do Flamengo e o Bangu Atlético Clube reviveram em campo a magia dos épicos confrontos entre as duas agremiações que se digladiavam nos anos 60 pela hegemonia do ludopédio fluminense.
O primeiro tempo morno, marcado por duas discutíveis penalidades (uma para cada lado) deu lugar a uma etapa final eletrizante, digna de final de campeonato. Atuação destacada de Ronaldinho Gaúcho, que parecia querer mostrar que a folia momesca não afetaria seu rendimento nas quatro linhas. Jogando pela meia-esquerda, após a entrada de Diego Maurício no lugar de Willians, passou a demonstrar parte do repertório dos tempos de Grêmio, PSG e Barcelona. Recebendo a bola de frente para o gol, encarou os adversários, arriscou dribles e colocou os companheiros de frente para a meta inúmeras vezes. Só que, infelizmente, Ronaldinho é um só e o talento nas conclusões não é uma virtude muito comum no restante do elenco.
Ao contrário de R10, Thiago Neves fez, quem sabe, a pior atuação envergando o Manto Sagrado. Errou tudo o que tentou. Desde passes simples até lançamentos, passando por uma conclusão, aos 48 do segundo tempo, que poderia ter antecipado o fim da agonia dos fiéis rubro-negros no Moacyrzão. Após bela jogada, em que conseguiu se livrar de dois ou três oponentes, escolheu cuidadosamente o canto direito do arqueiro banguense e tocou, de chapa... para fora. Por um capricho do destino, poderia ter se tornado o herói do jogo, mas acabou mesmo indo dormir abraçado com a rechonchuda, mas afetuosa Cremilda. Que tenha bons sonhos. Domingo, contra as meninas do laranjal, o Regenerado terá que comprovar se já faz realmente jus à alcunha ou se seu sangue ainda está maculado de qualquer gota de tonalidade rósea ou vestígio de pó-de-arroz. A conferir.
Luxemburgo disse já ter encontrado o “desenho tático ideal da equipe”. Mas não foi o que pareceu quando, no intervalo, sacou Leo Moura e Willians, justamente os dois atletas mais regulares do time há, pelos menos, um ano. Arriscou ao improvisar o claudicante Fierro na lateral-direita e Renato Abreu como volante. Acertou, isto sim, com a entrada de Diego Maurício pela ponta-direita. O garoto não titubeou e foi pra cima dos defensores da novecentista Fábrica de Tecidos.
Assim como o leão Wanderley, DM mostrou-se incansável e, mesmo que, por vezes, se perdesse em meio à bola, as canelas adversárias e as próprias, não descansou um minuto sequer. Tampouco deixou de acreditar que a vitória seria possível. E, quando os rubro-negros menos otimistas já jogavam a toalha e a torcida arco-iris já deixava à mostra o sarcástico sorriso no cantinho dos lábios, eis que, aos 50 minutos da etapa final, nosso indefectível Drogbinha desfere certeira cabeçada enviando a pelota para o fundo do entrelaçado de filó, demonstrando que o puro sangue rubro e negro não corre nas veias de qualquer um.
Ainda houve tempo para, na saída de bola, os bravos atletas alvirrubros lutarem pelo tento de empate. No entanto, o esforço dos jogadores do bairro proletário mostrou-se vão perante à superioridade do magnânimo, insuperável e senhor absoluto de terras fluminenses, Clube de Regatas do Flamengo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário