Confesso que quando o narrador disse que o Murici esperava contar com a grana da renda do jogo da última quarta para pagar a folha salarial de R$ 50 mil dos jogadores e reformar suas instalações, quase torci para o jogo terminar só 1 a 0. Mas a magnânima supremacia rubro-negra se impôs e foi impossível deixar de ser contagiado pelos belos gols de Ronaldinho Gaúcho, Negueba e pelo petardo desferido por Renato “Patada Atômica” Abreu contra a meta muriciana.
Disseram que o Flamengo não jogou bem no primeiro tempo. Verdade que os caras jogaram como nunca e perderam como sempre, diante da audiência continental que os assistia. Valeu para valorizar os jovens atletas alagoanos que, se disputassem o Campeonato Carioca, certamente ficariam à frente de uma certa agremiação desportiva braso-lusitana que insiste em se considerar um clube de futebol profissional.
O jogo? Bom, vimos mais uma vez que Vanderlei ainda procura o melhor posicionamento para os jogadores em campo. Ronaldinho jogou de centroavante desta vez e até marcou um golaço de cabeça: olhos abertos, cabeçada firme para o chão, indefensável para o arqueiro muriciense. Mas nada disso teria acontecido não fosse o cruzamento, ou melhor, passe perfeito do monstro Leo Moura, direto da linha de fundo para a testa do nosso camisa 10.
No segundo gol, graças a Nosso Senhor Zico, o Gaúcho deixou a fominhagem de lado e permitiu que Renato “Coice de Mangalarga” Abreu cobrasse a falta, pegando de jeito na bola e ampliasse o placar. O gramado molhado e o auxílio luxuoso do porteiro das Alagoas contribuíram para o 2 a 0. Renato não estava jogando nada, como vem acontecendo desde o último certame nacional. Tinha como regularidade os erros sucessivos de passe que quase resultaram em gol adversário, quando o meia jogou, de forma pueril, a pelota na fogueira para Egídio, que foi obrigado a cometer falta perigosa na risca da grande área. Depois do lance, o camisa 11 ainda se achou no direito de pagar geral para o empenhado lateral-esquerdo, que, desta vez, não teve culpa nenhuma. Apesar da noite atrapalhada, Renato “Anderson Silva” Abreu, em única falta cobrada nos últimos quatro jogos, acertou o torpedo para regozijo geral da Nação.
Com a galinha já morta, o Mengão tocava a bola pensando no mal que fará à cachorrada no próximo domingo. Mas, como quem não quer nada, vira e mexe arriscava um ou outro contra-ataque só para não perder o hábito. Eis que, após belo passe do Gaúcho, Thiago “Regenerado” Neves deu passe milimétrico e açucarado para Negueba dominar, tirar o beque da jogada e estufar o entrelaçado de filó. Ainda é cedo para analisar as atuações do garoto. Prefiro evitar comentários precipitados como ando ouvindo e lendo por aí a respeito do campeão nacional sub-20. Mas já se pode perceber que Negueba tem personalidade e categoria. Se vai “dar muitas alegrias à torcida”, como insistem alguns, só o tempo dirá.
Ao analisar os três gols, podemos chegar a uma conclusão: quando o jogo está difícil, o adversário marcando em cima, os passes não acontecem e o entrosamento falta, basta entregar a bola para quem decide. Leo Moura, Ronaldinho e Thiago Neves são diferenciados e podem resolver o jogo em um único toque na bola. Renato “Tijolada” Abreu também não pode ser descartado pelos chutes precisos e pela raça dentro de campo, apesar de seu destempero e dispersão em lances elementares. Portanto, mesmo que alguns jogadores ainda estejam engatinhando no quesito condicionamento físico, que ainda falte ao time entrosamento e o professor Luxa ainda esteja arquitetando o melhor esquema tático, é, e sempre será, o talento que vai resolver a parada. Esperamos que assim seja no domingo.
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