Chegar a uma final é assim: o momento em que se separam os homens dos meninos. Para isso, é preciso deixar de lado as lamúrias, lamentações e chororôs. E não tem jeito, nesses quesitos o Clube de Regatas do Flamengo tem tradição centenária de triunfos. Por isso é imbatível contra rivais que tremem só de vislumbrar ao longe o Manto Sagrado encarnado e negro, as bandeiras desfraldadas na arquibancada e o canto ensurdecedor da Magnética. Somos milhões contra onze do outro lado. Aí também é covardia. Não há como controlar as pernas trêmulas, os ombros curvados, o olhar baixo, as lágrimas rolando face abaixo e o soluço desesperadamente incessante.
Durante os 90 minutos, Angel´in mostrou por que é o nosso anjo da guarda para os momentos difíceis. Como no certame nacional de 2009, o gladiador alado desceu dos céus para nos dar a vantagem no marcador. Criticado e desprezado por alguns sabichões do ludopédio, nosso zagueiro enviado do firmamento rubro-negro usou sua auréola divina para desviar o balão para o fundo do entrelaçado de filó adversário e fazer a alegria da Nação mais querida do mundo.
E no momento decisivo da decisão fatal das penalidades, Felipe, do latim, “aquele que quer amar com afeto e amizade”, destilou os mais nobres sentimentos ao Manto Sagrado quando vaticinou “caprichem que eu vou pegar dois”. Ademais, nosso arqueiro de sangue azul, de mesma alcunha do rei macedônio, pai de Alexandre “O Grande”, provou ter a frieza e a determinação de um supremo comandante ao nos levar à batalha final.
Uns e outros auto-denominados loucos, não o foram tanto assim a ponto de se arriscar a cobrar o tiro penal que poderia pôr tudo a perder. Preferiu ficar para a última cobrança quando tudo poderia estar perdido, como comprovadamente o foi. Nada mais compreensível diante do Esquadrão Rubro-Negro onde estavam perfilados um anjo e um rei.
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