Acabei de ler a coluna do mestre José Ilan, no bom Globoesporte.com. No texto, o valoroso colega alerta para o risco do fim da lua de mel da torcida com Ronaldinho Gaúcho, caso o craque não melhore o nível de suas atuações.
Ilan está certíssimo: o risco existe. Mas penso um pouco diferente. Acho que Ronaldinho vem para ser a estrela, mas não o principal jogador da equipe. Nosso camisa 10, como todos sabemos, já passou do auge da carreira há algum tempo. Veio para a Gávea (assim como Ronaldo para os Curíntia) como garoto-propaganda, no que já está apresentando resultados, haja vista o incrível número de mantos sagrados vendidos com seu nome às costas. Em campo, espero alguns lances de efeito, meia dúzia de assistências e um gol aqui, outro acolá em jogadas de bola parada.
Mas o Gaúcho não pode jogar sozinho. Para isso, é preciso que tenha jogadores de bom nível técnico e em boas condições físicas de carregar o piano para ele. No primeiro caso, vejo Leo Moura, o melhor lateral direito do Brasil, e Thiago “Regenerado” Neves. Sobre este, já podemos perceber que, se ainda não está na forma física ideal e o entrosamento com os companheiros ainda esteja longe, pelo menos mostra empenho, técnica e habilidade, como no belíssimo gol marcado contra o Vice da Gama. No segundo caso, percebo Willians, o gigante da meia cancha. O restante do time é bastante limitado. Precisamos de uma zaga mais experiente, um lateral-esquerdo de verdade, e, pelo menos, um centroavante mais regular do que Deivid, que ainda claudica.
Mas, óbvia e principalmente, professor Luxa precisa definir o que quer de seus comandados. Acredito que muito da insegurança dos jogadores dentro de campo tem origem na indecisão do próprio comandante. No jogo contra os empenhados futebolistas resendinos, Ronaldinho Gaúcho foi deslocado para a meia-direita, posição em que, salvo engano, jamais atuou. O esquema tático da equipe também não ajuda. É 4-4-2, 4-3-3, 4-2-3-1, 4-5-1 ou 3-4-3? A cada jogo o posicionamento dos jogadores dentro de campo muda e isso obviamente interfere no rendimento da equipe.
Mais do que esperar o brilho intenso de nosso camisa 10, minha preocupação maior é que o professor defina, de uma vez por todas, um desenho tático para o time que explore ao máximo o potencial de cada jogador. Só assim veremos, enfim, luzirem as estrelas da companhia em todo seu esplendor.
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